Saúde • 13:49h • 12 de julho de 2025
ELA: doença silenciosa que paralisa o corpo exige atenção aos primeiros sinais
Neurologista alerta para sintomas iniciais discretos que dificultam o diagnóstico precoce e destaca avanços no tratamento que prolongam qualidade de vida
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria de Imprensa VFR | Foto: Divulgação
Silenciosa, progressiva e irreversível, a esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença rara que afeta os neurônios motores, responsáveis pelos movimentos voluntários do corpo. Apesar de atingir apenas 1 a 2 pessoas a cada 100 mil por ano, seu impacto é devastador: compromete a rotina, a independência e, nos estágios avançados, até a respiração dos pacientes.
Os primeiros sinais costumam ser sutis, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento. "A ELA compromete a rotina e a independência do paciente. Quanto antes for detectada, melhor o resultado das terapias e tratamentos que ajudam a conter seu avanço", explica o neurologista William A. dos Santos, do Hospital São Luiz Anália Franco, da Rede D'Or.
Médicos reforçam a importância de reconhecer os sintomas iniciais: fraqueza muscular, câimbras frequentes, espasmos, perda de coordenação motora e dificuldade em realizar tarefas rotineiras como andar, falar ou engolir. Em estágios mais avançados, surgem perda de peso significativa e dificuldades respiratórias.
A doença geralmente acomete pessoas entre 40 e 70 anos e é um pouco mais frequente em homens. Embora fatores como genética e hereditariedade possam aumentar o risco, em muitos casos a causa permanece desconhecida.
Desafios no diagnóstico e importância da conscientização
Os sintomas iniciais da ELA são facilmente confundidos com outras doenças neurológicas ou musculares, o que atrasa o diagnóstico. Estudos apontam que a subnotificação ainda é um desafio, principalmente em regiões com menos acesso a serviços especializados. "Muitos casos não chegam aos sistemas de saúde ou são confundidos com outras condições. Isso atrasa o tratamento e diminui as chances de controle", alerta o Dr. Santos.
A conscientização sobre a doença ganhou força a partir de 2014, com a campanha do "Balde de Gelo", que viralizou nas redes sociais, levando o tema a milhões de pessoas. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda há muito a avançar para garantir diagnósticos mais rápidos e ampliar o acesso ao tratamento.
Avanços no tratamento e qualidade de vida
A ELA não tem cura, mas o tratamento multidisciplinar é essencial para controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e medicamentos modernos ajudam a retardar a progressão. "Hoje temos novos medicamentos que conseguem retardar em até 33% o avanço da ELA em fases iniciais, por isso é tão importante o diagnóstico precoce", explica o neurologista.
Um exemplo é o Edavarona, aprovado recentemente pela Anvisa. Com ação antioxidante e neuroprotetora, ele ajuda a reduzir o trauma oxidativo, um dos principais fatores de progressão da doença. Em estágios mais avançados, a ELA pode levar à paralisia total, exigindo cuidados intensivos e suporte para funções vitais como a respiração.
"O enfrentamento da ELA deve ser feito com suporte multidisciplinar, tecnologia assistiva e acolhimento. Com um plano de cuidado individualizado, apoio familiar e bom atendimento, conseguimos proporcionar mais conforto, autoestima e dignidade ao paciente", conclui o Dr. Santos.
O Hospital São Luiz Anália Franco, na zona Leste de São Paulo, oferece atendimento em diversas especialidades, incluindo neurologia, além de serviços como pronto-socorro adulto e pediátrico, Centro Médico de Especialidades, Centro de Oncologia e Cirurgia Robótica.
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