Responsabilidade Social • 19:45h • 21 de setembro de 2026
Eles chegaram, nasceram e sobreviveram: conheça as novas histórias do Zoo de SP
Porcos-espinhos inéditos no Brasil, primatas ameaçados, papagaios resgatados e até uma harpia que precisou de ajuda para nascer estão entre as histórias recentes do parque
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação/Zoo SP
Os últimos meses foram movimentados no Zoológico de São Paulo. Entre abril e agosto, novos animais chegaram, filhotes nasceram e espécies ameaçadas ganharam reforço em programas de conservação. Algumas histórias começaram longe da capital, em incêndios, atropelamentos e até em uma tentativa de tráfico internacional. Outras nasceram dentro do próprio Zoo, como os três pequenos lobos-guará que hoje atendem pelos nomes de Açaí, Guaraná e Cupuaçu.
Em abril, quatro porcos-espinhos-de-crista-africanos chegaram de um zoológico francês e se tornaram os primeiros representantes da espécie trazidos ao Brasil. São dois machos e duas fêmeas jovens, que passaram a dividir com fenecos e hienas a representação da fauna africana no parque.

Apesar do nome, trata-se do maior roedor do Norte da África, podendo alcançar 93 centímetros e pesar até 20 quilos. Seus espinhos chegam a 30 centímetros e são eriçados quando o animal se sente ameaçado.
Outra chegada reuniu Cigarra, Formiga e Cupim, três macacos-aranha-da-testa-branca vindos de Mato Grosso. Os animais têm histórias marcadas por situações de risco. Cigarra foi encontrada após um incêndio, Formiga foi resgatado em uma rodovia e Cupim estava ao lado da mãe, que morreu atropelada.

Depois de reabilitados e transferidos para São Paulo, passaram por quarentena e adaptação antes de se juntarem a Joca. A espécie é endêmica do Brasil e classificada como Em Perigo de extinção.
Três irmãos viraram Açaí, Guaraná e Cupuaçu
O Zoo também ganhou três filhotes de lobo-guará, nascidos em 26 de maio. Filhos de Pitanga e Caju, eles permaneceram inicialmente em uma área técnica com a mãe e, dois meses depois, chegaram ao espaço de visitação. O nascimento reforçou o programa de conservação de uma espécie considerada vulnerável à extinção no Brasil.

Em agosto, quase 3 mil pessoas participaram de uma votação nas redes sociais para escolher os nomes do trio.

A opção vencedora, com 52% dos votos, transformou as duas fêmeas em Açaí e Cupuaçu e o macho em Guaraná. Os pais, Pitanga e Caju, são animais resgatados e já haviam tido outros dois filhotes em 2025.
Papagaios sobreviveram a tentativa de tráfico internacional
Nove papagaios chegaram ao Zoo depois de uma trajetória bem diferente. São seis papagaios-de-cara-roxa e três papagaios-charão, originados de ovos apreendidos pelo Ibama no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Em outubro de 2025, uma passageira tentou embarcar para o exterior com 24 ovos escondidos sob as roupas e presos ao corpo com meias de nylon. Parte deles eclodiu após a apreensão e nove filhotes sobreviveram.

As aves chegaram a São Paulo em março e, depois de quarentena e avaliações clínicas, foram transferidas em agosto para o Bosque da Conservação. O trabalho agora inclui a perspectiva de formação de futuros casais reprodutivos. As duas espécies integram iniciativas de conservação, e os novos moradores passaram a ocupar uma área próxima a outras aves ameaçadas, como ararinhas-azuis, araras-azuis-de-lear e jacutingas.
Uma harpia precisou de ajuda para sair do ovo
Uma das histórias mais delicadas ocorreu no fim de julho. Depois de 54 dias de incubação artificial, um filhote de harpia começou a romper o ovo, mas não conseguia avançar na eclosão. Após aproximadamente três dias de tentativa e com a vocalização da ave ficando mais fraca, a equipe decidiu intervir.

A bióloga Fernanda Guida retirou gradualmente partes da casca e ajudou o filhote a nascer em um procedimento comparado pela própria equipe a uma "cesárea". A pequena harpia pesava apenas 78,6 gramas e se tornou a quarta ave da espécie reproduzida pelo Zoológico de São Paulo em três anos. A espécie pode chegar a dois metros de envergadura e nove quilos quando adulta.
Entre chegadas, resgates e nascimentos, as histórias recentes mostram uma parte do trabalho realizado nos bastidores do Zoo, com quarentenas, acompanhamento veterinário, reprodução planejada e manejo de populações ameaçadas. Para quem quiser conhecer esses animais, o Zoológico de São Paulo fica na Avenida Miguel Estéfano, 4241, Água Funda, e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 8h30 às 18h.
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