Responsabilidade Social • 08:20h • 17 de dezembro de 2024
Em 2024, 60% dos projetos de lei sobre LGBT eram a favor da comunidade
Dados levantados até outubro são da Observatória
Da Redação com informações de Agência Brasil | Foto: Lillen/Pixabay
O ano legislativo de 2024 encerra com um balanço relativamente positivo para a comunidade LGBTQIA+. Na Câmara dos Deputados, até outubro, dos 41 projetos de lei (PLs) relacionados a essa população, 26 eram favoráveis e 15 contrários, representando 63% de propostas a favor. Já no Senado Federal, não houve registro de PLs de nenhum dos dois lados.
Segundo a Observatória, plataforma da agência de jornalismo independente Diadorim, o ano de 2023 foi particularmente intenso na Câmara dos Deputados, com 81 PLs apresentados: 44 buscando retrocessos nos direitos LGBTQIA+ e 37 defendendo avanços. No Senado, o cenário foi inverso, com sete propostas favoráveis contra duas contrárias.
No terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, foi registrado o maior número de propostas relacionadas aos direitos LGBTQIA+ desde 2019, com um pico de 81 PLs. O segundo maior volume ocorreu em 2021, com 50 projetos, dos quais 32 apoiavam a causa LGBTQIA+ e 18 eram contrários.
Em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, também houve alta atividade legislativa, com 26 propostas pró-LGBTQIA+ e 17 contrárias na Câmara. No Senado, todas as cinco propostas legislativas apresentadas em 2019 foram em defesa dessa comunidade, tendência que se repetiu em 2020 e 2022, com quatro projetos favoráveis em cada ano.
De 2019 a outubro de 2024, a Observatória registrou 149 PLs na Câmara dos Deputados que beneficiariam ou beneficiaram a população LGBTQIA+, enquanto no Senado foram 27.
Temas e Tendências Legislativas
Os projetos favoráveis focaram principalmente em políticas públicas para combater o preconceito e a violência, representando 41,6% do total na Câmara e 40,7% no Senado. Por outro lado, as propostas contrárias frequentemente miraram a proibição do uso de linguagem neutra em documentos públicos, escolas e outros ambientes.
No campo político, partidos como PSOL, PSDB e PT lideraram as iniciativas pró-LGBTQIA+ na Câmara, enquanto PL, União Brasil (antigo PSL) e Republicanos concentraram esforços em propostas contrárias. No Senado, PSOL, Rede, MDB e PSDB se destacaram como aliados da causa, enquanto o PL liderou as iniciativas contra.
Estratégias e Desafios
O advogado Paulo Malvezzi, cofundador da Diadorim, alerta que, embora o movimento LGBTQIA+ tenha forte representação nos grandes centros urbanos, essa realidade é restrita. “A liberdade de expressão de afeto público existe apenas em espaços muito limitados e bem demarcados. Fora dessas áreas, ser LGBTQIA+ muitas vezes significa enfrentar repressão, riscos à integridade física e até à vida”, ressalta.
Malvezzi aponta que uma das estratégias da bancada conservadora é criar pânico moral com base em casos isolados, muitas vezes fictícios. “Esses projetos se baseiam em justificativas frágeis e replicam narrativas importadas de outros países, como incidentes envolvendo pessoas trans em banheiros, que não refletem a realidade brasileira. O objetivo é gerar ganhos políticos explorando o medo e o preconceito”, analisa.
Outra tática conservadora é colocar direitos LGBTQIA+ em oposição aos direitos de crianças e adolescentes, criando contradições artificiais. “Há projetos para proibir práticas que já são vedadas por lei, como cirurgias de redesignação sexual em menores, usadas apenas em condições muito específicas e com autorização dos pais”, explica Malvezzi.
Ele conclui que a apresentação desses projetos serve mais como ferramenta de capital político do que como objetivo real de aprovação. “Muitos parlamentares conservadores usam essas propostas para ganhar visibilidade e surfar no pânico moral, sem real interesse em concretizá-las.”
Realidade nas Assembleias Legislativas
Nos estados, as Assembleias Legislativas do Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso lideram em propostas LGBTQIA+fóbicas, com foco na proibição de linguagem neutra, controle de materiais escolares e restrições ao uso de banheiros públicos conforme a identidade de gênero.
Por outro lado, as Assembleias de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco destacam-se na defesa dos direitos LGBTQIA+, priorizando o combate à discriminação, medidas simbólicas, como a criação de datas comemorativas, e o levantamento de dados essenciais para embasar políticas públicas.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos