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Mundo • 14:08h • 12 de julho de 2025

Dia do Taxista celebra profissão histórica e reforça desafios na era dos aplicativos

Grande demanda é criação de aplicativo nacional do táxi que reuniria motoristas credenciados de todo o país; Dia do Taxista foi celebrado dia 8

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Alesp | Foto: Rodrigo Romeo

Após mais de dez anos da chegada dos aplicativos de transporte ao Brasil, o que chacoalhou a profissão, os taxistas apostam na tecnologia para fazer frente a empresas multinacionais que vêm dominando o mercado nos últimos anos.
Após mais de dez anos da chegada dos aplicativos de transporte ao Brasil, o que chacoalhou a profissão, os taxistas apostam na tecnologia para fazer frente a empresas multinacionais que vêm dominando o mercado nos últimos anos.

Presente no cotidiano de milhões de brasileiros e fundamental para a mobilidade urbana, o serviço de táxi é parte da paisagem das grandes cidades. Em São Paulo, o Dia do Taxista, celebrado em 13 de julho, foi instituído por lei estadual em 2001, como forma de homenagear profissionais que, segundo o ex-deputado Antonio Salim Curiati, autor da proposta, "prestam grande colaboração à população e são essenciais na rotina das cidades".

Com a chegada dos aplicativos de transporte ao Brasil há mais de uma década, a categoria passou por uma verdadeira revolução. Apesar da concorrência acirrada, os taxistas vêm se adaptando, apostando em tecnologia, renovando a frota e lutando por políticas públicas que garantam condições mais justas de trabalho.

Um aplicativo nacional para os táxis

Para o presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo (Simtetaxi-SP), Antonio Matias — o Ceará —, a saída para equilibrar o mercado é a criação de um aplicativo nacional de táxis, com gestão pública. A proposta é que o passageiro, em qualquer cidade do país, possa chamar um táxi com facilidade, segurança e tarifas regulamentadas.

“Queremos unir o melhor dos dois mundos: a praticidade dos apps e a segurança do táxi legalizado, com motoristas cadastrados e regulamentados. Isso também ajudaria a reduzir fraudes e táxis clonados”, afirma Ceará. Segundo ele, o aplicativo ideal seria gerido por entes públicos e padronizado em todo o território nacional.

No entanto, o desafio é grande, já que a regulamentação do serviço de táxi é responsabilidade dos municípios. Embora algumas cidades, incluindo São Paulo, já tenham tentado criar aplicativos próprios, ainda não houve adesão significativa dos usuários.

Incentivos fiscais ajudam, mas não resolvem tudo

Mesmo com a regulação municipal, os taxistas paulistas contam com benefícios garantidos por leis estaduais aprovadas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Desde 1985, por exemplo, a categoria é isenta do pagamento de IPVA. A legislação atual, Lei nº 13.296/2008, assegura a isenção para um veículo de propriedade de motorista profissional autônomo utilizado como táxi.

Além disso, desde 2022, também há isenção de ICMS para compra de veículos destinados ao serviço de táxi. “Esses incentivos são importantes para renovar a frota e melhorar o atendimento ao passageiro. Eles movimentam a indústria, os bancos e beneficiam o cliente com carros mais novos”, explica Ceará. A isenção do IPVA, por exemplo, dura dois anos e estimula a troca frequente de veículos.

Adaptação e desafios

A concorrência com os aplicativos ainda é forte. Em poucos anos, o número de carros por app superou o de táxis em São Paulo. Em 2022, a Uber registrava 1,7 milhão de motoristas e 30 milhões de usuários no país. Ainda assim, dados do aplicativo "Vá de Táxi" indicam que o setor começou a se recuperar: entre 2020 e 2021, houve aumento de 10% no número de motoristas e 37% nas viagens.

Ceará, taxista desde 2012, destaca que a categoria precisou se reinventar. “Fomos obrigados a melhorar. Passamos a usar uniforme, investir em carros híbridos e elétricos, e conquistamos de volta a confiança de muitos passageiros. Hoje, 35% das nossas corridas são com filhos de antigos clientes. Isso mostra o valor do atendimento de confiança”, afirma.

Nem todos compartilham da mesma visão otimista. Franklin Souza, com 25 anos de experiência como taxista, avalia que os aplicativos reduziram drasticamente o número de corridas. “Perdemos quase 60% da demanda. E muitos taxistas não zelam pelo serviço. Precisamos de mais rigor para liberar alvarás e oferecer cursos de reciclagem. Só assim os benefícios poderão ser bem aproveitados”, defende.

Uma profissão com quase dois mil anos

O transporte remunerado de passageiros é mais antigo do que se imagina. Já no século 2, carruagens cobravam pelas distâncias percorridas no Império Romano. Os primeiros táxis motorizados surgiram no fim do século 19, na Alemanha, acompanhados da criação do taxímetro.

Hoje, segundo o Simtetaxi, São Paulo conta com cerca de 40 mil taxistas ativos — e o estado, com aproximadamente 98 mil. Em todo o Brasil, a estimativa da federação da categoria é de 600 mil profissionais.

Com uma longa história e papel essencial nas cidades, os taxistas seguem em busca de reconhecimento, políticas públicas eficazes e espaço no novo cenário da mobilidade urbana.

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