Ciência e Tecnologia • 12:21h • 31 de janeiro de 2026
Embrapa cria queijo cremoso vegetal com benefícios à saúde intestinal e foco em sustentabilidade
Produto simbiótico combina probióticos e fibras prebióticas, aproveita coproduto da castanha de caju e atende à crescente demanda por alimentos funcionais e plant-based
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Embrapa | Foto: Patrícia Mendes
Atenta às novas tendências de consumo, marcadas pela busca por alimentos mais saudáveis, funcionais e sustentáveis, a Embrapa desenvolveu um análogo vegetal de queijo cremoso com propriedades simbióticas. A formulação combina bactérias benéficas do gênero Bifidobacterium com fibras prebióticas, promovendo benefícios à saúde intestinal e ao fortalecimento do sistema imunológico.
Além do apelo nutricional, o produto se destaca por agregar valor a um coproduto da cadeia da castanha de caju: as amêndoas quebradas, que possuem o mesmo valor nutricional das inteiras, mas menor valorização comercial. A iniciativa amplia alternativas para uma cadeia produtiva estratégica no Nordeste e contribui para a redução de desperdícios.
“Buscamos desenvolver uma alternativa vegetal saudável, com propriedades funcionais reais, capaz de atender tanto consumidores que evitam lácteos por opção quanto aqueles com restrições, como intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite”, explica a pesquisadora Selene Benevides, da Embrapa Agroindústria Tropical, responsável pelo projeto.
Ensaios laboratoriais indicaram que o análogo apresenta teores adequados de frutooligossacarídeos (FOS), estabilidade microbiológica e manutenção do número de células viáveis de Bifidobacterium ao longo de 45 dias de armazenamento. Em testes sensoriais com consumidores, o produto alcançou média 7 na aceitação global, equivalente a “gostei”. A intenção de compra ficou entre “provavelmente compraria” e “certamente compraria”.
O produto já passou por ampliação de escala e validação industrial em uma empresa do setor plant-based. Paralelamente, estão em andamento ensaios clínicos com seres humanos, em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor), para avaliar sua funcionalidade.
Segundo o pesquisador Nédio Jair Wurlitzer, do Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa Agroindústria Tropical, a inovação reflete mudanças nos hábitos alimentares. “O consumidor busca produtos que, além da nutrição, ofereçam benefícios reais à saúde. Isso impulsiona o desenvolvimento de novas formulações e a requalificação de recursos já existentes”, afirma.
A Embrapa também tem ampliado pesquisas com outras matérias-primas, como caju, babaçu, yacon, jenipapo, feijão-caupi, tamarindo e maracujá. Entre os estudos, estão alternativas para reduzir a acidez do suco de tamarindo, aplicações do maracujá-silvestre e o uso do yacon, rico em fibras prebióticas, com resultados positivos em testes clínicos.
Outra frente de atuação envolve o aproveitamento de coprodutos agroindustriais, como a fibra do bagaço de caju, e a busca por proteínas alternativas. O laboratório também investiga pigmentos naturais extraídos da pitaya e do jenipapo, em resposta à rejeição crescente a aditivos sintéticos.
Para alinhar ciência e mercado, a Embrapa monitora o comportamento do consumidor como parte de sua estratégia de pesquisa. “É um diálogo constante entre ciência, setor produtivo e sociedade”, destaca a pesquisadora Socorro Bastos. Segundo ela, o codesenvolvimento com indústria, produtores e consumidores é fundamental para aumentar a adoção das soluções desenvolvidas e responder a um público cada vez mais atento à procedência, à saudabilidade e à inovação dos alimentos.
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