Responsabilidade Social • 18:33h • 26 de março de 2026
Empresas ampliam adesão à logística reversa para reduzir riscos e ganhar mercado
Com exigências legais mais rígidas, prática deixa de ser opcional e passa a impactar competitividade e acesso a mercado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sing Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
A logística reversa tem se consolidado como um dos principais instrumentos de gestão empresarial no Brasil, impulsionada por exigências legais, pressão do mercado e avanço das pautas ambientais. Prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), a prática estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes.
Na prática, a ausência de sistemas estruturados de logística reversa pode gerar riscos jurídicos e financeiros para as empresas. Órgãos ambientais têm ampliado a fiscalização e exigido comprovação de metas, relatórios auditáveis e adesão a modelos reconhecidos. O descumprimento dessas exigências pode resultar em multas, sanções e insegurança regulatória.
Além do aspecto legal, a logística reversa também passou a influenciar diretamente a reputação das empresas. Dados da pesquisa Voz do Consumidor 2025, da PwC, indicam que critérios de sustentabilidade seguem impactando decisões de compra. Já levantamento da Ipsos aponta que 75% dos brasileiros acreditam que as empresas devem assumir os custos relacionados à sustentabilidade.
Esse movimento também se reflete no ambiente corporativo. Critérios ESG passaram a ser considerados em decisões de crédito, investimentos e seleção de fornecedores. Empresas que não demonstram conformidade ambiental tendem a perder competitividade e acesso a oportunidades estratégicas.
No setor de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, o tema ganha ainda mais relevância. Esses produtos contêm materiais que podem causar impactos ambientais se descartados de forma inadequada, mas também apresentam potencial de reaproveitamento. A logística reversa permite recuperar matérias-primas, reduzir a extração de recursos naturais e fortalecer a economia circular.
Para o presidente da Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE), Robson Esteves, o foco das empresas precisa mudar. Segundo ele, a discussão não deve ser sobre o custo de adesão, mas sobre os riscos de permanecer fora de um sistema estruturado. A adoção da logística reversa contribui para rastreabilidade, organização documental e redução da exposição jurídica.
Fundada em 2011, a ABREE atua na implementação de sistemas coletivos de logística reversa no país, com uma rede de mais de 7 mil pontos de recebimento distribuídos em cerca de 1,5 mil municípios. A entidade reúne dezenas de associados e centenas de marcas, com atuação voltada à conformidade ambiental e eficiência operacional.
Em um cenário de maior regulação e transparência, a logística reversa deixa de ser uma pauta secundária e passa a integrar a estratégia central das empresas, unindo sustentabilidade, gestão de risco e posicionamento de mercado.
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