Mundo • 16:48h • 07 de julho de 2026
Empresas crescem, mas falta de proteção jurídica pode transformar sucesso em prejuízo
Recorde de abertura de negócios no Brasil aumenta a importância de contratos, governança e planejamento para evitar conflitos e preservar o patrimônio empresarial
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Âncora1
O Brasil fechou 2025 com um recorde de 5,1 milhões de novas empresas abertas, segundo levantamento do Sebrae. O crescimento do empreendedorismo fortalece a economia, mas também expõe um desafio recorrente: muitos negócios expandem suas operações sem estruturar adequadamente contratos, acordos societários e mecanismos de proteção jurídica, cenário que pode resultar em disputas e perdas financeiras no futuro.
Para especialistas em direito empresarial, essa vulnerabilidade costuma surgir justamente quando a empresa entra em uma fase de expansão, com aumento da equipe, novos parceiros comerciais e ampliação das atividades. Sem regras bem definidas, situações comuns do dia a dia podem evoluir para conflitos de alto custo.
Crescimento acelerado exige organização jurídica
De acordo com a advogada especialista em direito empresarial Mayra Saitta, fundadora do Grupo Saitta, muitos empresários concentram esforços em vendas, marketing e crescimento da operação, mas deixam a estrutura jurídica em segundo plano.
Segundo ela, contratos não representam apenas uma exigência burocrática. Eles estabelecem responsabilidades, oferecem previsibilidade às relações comerciais e ajudam a proteger o patrimônio da empresa diante de eventuais divergências entre sócios, fornecedores ou parceiros.
O alerta ganha ainda mais relevância em um ambiente de elevada judicialização. Dados do relatório Justiça em Números 2025, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que o Judiciário brasileiro encerrou 2024 com milhões de processos em tramitação, incluindo disputas empresariais e contratuais.
Problemas comuns podem ser evitados
Entre as situações mais frequentes apontadas pela especialista estão a entrada informal de sócios, acordos realizados apenas verbalmente, contratos sem cláusulas claras sobre confidencialidade ou rescisão e a ausência de regras sobre participação societária.
Esses pontos, muitas vezes ignorados durante o crescimento da empresa, podem gerar disputas complexas e comprometer a continuidade dos negócios.
Para Mayra Saitta, a advocacia empresarial passou a desempenhar um papel estratégico. Mais do que atuar quando o conflito já existe, ela pode contribuir para reduzir riscos, fortalecer a governança e oferecer mais segurança às decisões tomadas ao longo do desenvolvimento da empresa.
Empresas familiares, negócios em expansão e organizações que passaram a operar com múltiplos parceiros estão entre aquelas que mais se beneficiam de uma revisão preventiva da estrutura jurídica, reduzindo a exposição a problemas que, muitas vezes, poderiam ser evitados com planejamento.
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