Educação • 13:42h • 19 de julho de 2026
Enem: pressão por resultados e redes sociais podem derrubar o desempenho dos estudantes
Ansiedade, excesso de autocobrança e rotina exaustiva de estudos afetam a concentração e a memória; especialista explica como reconhecer os sinais de alerta
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
Faltando poucos meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), milhares de estudantes intensificam a preparação em busca de uma vaga na universidade. Mas especialistas alertam que um dos maiores desafios desta reta final pode não estar nas disciplinas cobradas pela prova, e sim na pressão psicológica criada pela busca por resultados e pela comparação constante nas redes sociais.
Uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que 63% dos estudantes do Ensino Médio relatam ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e no Enem. Para educadores, esse cenário favorece o surgimento da chamada "síndrome do desempenho", quando o candidato passa a medir seu próprio valor exclusivamente pelos resultados obtidos.
Comparação nas redes sociais aumenta a cobrança
Segundo Juliana Evelyn, coordenadora pedagógica da Rede Enem, a exposição diária a conteúdos que mostram longas jornadas de estudo acaba criando uma percepção distorcida da realidade.
"Muitos estudantes passam a acreditar que precisam estudar 10 ou 12 horas por dia para ter chances de aprovação. Eles comparam sua rotina real, cheia de dificuldades e cansaço, com conteúdos editados para as redes sociais. Isso gera uma sensação permanente de que nunca estão fazendo o suficiente", explica.
Excesso de pressão também reduz o rendimento
O problema vai além do aspecto emocional. De acordo com a especialista, níveis elevados de estresse podem comprometer diretamente o funcionamento cognitivo, dificultando a concentração, a retenção de informações e a recuperação do conteúdo durante a prova.
Situações como "brancos" na hora do exame, dificuldade para memorizar assuntos já estudados e perda de rendimento costumam estar relacionadas ao desgaste mental provocado pelo excesso de cobrança.
Quando a ansiedade deixa de ser normal
Um certo nervosismo faz parte da preparação para qualquer prova importante. O alerta surge quando a ansiedade passa a comprometer a rotina e a qualidade de vida.
Entre os principais sinais estão insônia frequente, isolamento social, dores de cabeça recorrentes, problemas gastrointestinais, irritabilidade constante e sensação permanente de incapacidade.
Segundo Juliana, reconhecer esses sinais precocemente ajuda o estudante a reorganizar sua rotina antes que o desgaste comprometa a preparação.
Descanso também faz parte da estratégia
Outro ponto destacado pela especialista é que produtividade não significa estudar sem parar. Pausas, lazer, sono adequado e momentos de descanso contribuem para consolidar o aprendizado e reduzir o desgaste emocional.
"O Enem é uma prova importante, mas não define sozinho o futuro de ninguém. Cuidar da saúde mental também faz parte da preparação. Descansar não é perder tempo; é permitir que o cérebro continue aprendendo", afirma.
A orientação para a reta final é construir uma rotina equilibrada, com metas possíveis, revisão dos conteúdos, prática de exercícios e respeito aos próprios limites, reduzindo a ansiedade e aumentando as chances de um bom desempenho no dia da prova.
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