Economia • 09:42h • 23 de abril de 2026
Energia solar em Itaipu tem potencial para dobrar capacidade da usina
Binacional estuda novas fontes renováveis para geração elétrica
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
O reservatório da usina de Itaipu, localizado na fronteira entre Brasil e Paraguai, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados, com aproximadamente 170 quilômetros de extensão e largura média de 7 quilômetros. Além de abrigar uma das maiores hidrelétricas do mundo, com capacidade de geração de até 14 mil megawatts, a área também passou a ser utilizada para testes com energia solar.
Desde o fim de 2025, técnicos dos dois países estudam a instalação de painéis fotovoltaicos sobre o espelho d’água. O projeto piloto conta com 1.584 placas instaladas em uma área inferior a 10 mil metros quadrados, próxima à margem paraguaia do reservatório. A estrutura tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico, suficiente para abastecer cerca de 650 residências, embora a energia produzida seja destinada apenas ao consumo interno.
A chamada “ilha solar” funciona atualmente como um laboratório para avaliar a viabilidade da tecnologia em larga escala. Os estudos analisam fatores como impactos ambientais, comportamento de peixes e algas, variações na temperatura da água, influência dos ventos, além da estabilidade das estruturas flutuantes e do sistema de ancoragem.
A proposta futura é ampliar esse modelo de geração, o que dependeria de ajustes no Tratado de Itaipu, firmado em 1973. Estimativas indicam que, em um cenário hipotético, a ocupação de 10% do reservatório com painéis solares poderia gerar energia equivalente à de uma nova usina, embora essa possibilidade ainda esteja distante e dependa de estudos aprofundados. Para alcançar cerca de 3 mil megawatts de geração solar, seria necessário um período mínimo de quatro anos de instalação.
O projeto piloto recebeu investimento de aproximadamente US$ 854,5 mil e foi executado por um consórcio formado por empresas do Brasil e do Paraguai.
A diversificação energética em Itaipu vai além da energia solar. No Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu, são desenvolvidas pesquisas em hidrogênio verde, baterias e outras tecnologias. O hidrogênio verde, produzido por meio da eletrólise da água sem emissão de carbono, é considerado uma alternativa sustentável para setores industriais e de transporte.
O complexo também abriga um centro voltado ao desenvolvimento de soluções para armazenamento de energia, com pesquisas sobre baterias e sistemas de reserva energética.
Outra iniciativa envolve a produção de biogás a partir de resíduos orgânicos, incluindo materiais apreendidos em fiscalizações. Por meio de biodigestão, esses resíduos são transformados em biometano, utilizado como combustível em veículos da própria usina. Em quase uma década, o processo já reaproveitou mais de 700 toneladas de resíduos, gerando combustível suficiente para percorrer centenas de milhares de quilômetros.
Além disso, a unidade também testa a produção de combustíveis avançados, como o bio-syncrude, que pode ser utilizado na fabricação de combustível sustentável de aviação. As iniciativas reforçam o papel de Itaipu como um polo de inovação em energias renováveis, com foco em soluções sustentáveis para o futuro.
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