Saúde • 08:18h • 15 de julho de 2026
Entenda a ‘dor de crescimento’ e a importância do acompanhamento e tratamento adequado
Negligenciar a queixa eleva o risco de dores crônicas na vida adulta, alertam especialistas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
A maioria das crianças e adolescentes que sofre com dores incapacitantes nos ossos, músculos ou ligamentos se recupera em até 18 meses. No entanto, um em cada três pacientes que melhora volta a apresentar episódios de dor. Os dados são de um estudo com 694 jovens, publicado no Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.
A pesquisa lança um novo olhar sobre um problema comum, que afeta cerca de três em cada dez crianças e adolescentes brasileiros. Mesmo sem estar relacionado a traumas, esforço repetitivo ou outra causa específica, o quadro pode comprometer a rotina, provocando faltas à escola e afastamento de atividades esportivas e de lazer.
Segundo a pesquisadora Tiê Parma Yamato, da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e da Universidade de Sydney, a dor costuma ser subestimada por familiares e até por profissionais de saúde. Ela ressalta que, embora a maioria dos pacientes apresente melhora espontânea, cerca de 14% continuam convivendo com o problema por longos períodos, o que reforça a importância do acompanhamento médico.
O estudo também identificou que crianças mais novas e com melhor qualidade de vida têm maiores chances de recuperação. Já durante a adolescência, a probabilidade de melhora diminui, indicando que o tratamento precoce pode fazer diferença.
Dor pode persistir até a vida adulta
Os pesquisadores alertam que dores frequentes ou incapacitantes na infância aumentam o risco de desenvolvimento de dores crônicas na fase adulta, como a lombalgia. Por isso, identificar precocemente os casos mais persistentes pode ajudar a reduzir problemas futuros e até os impactos sobre os sistemas de saúde.
A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), acompanhou estudantes de escolas públicas e privadas dos estados de São Paulo e Ceará. Inicialmente, mais de 12 mil crianças e adolescentes foram convidados a participar. Desses, 2.688 responderam a questionários sobre dores no corpo e 694 foram acompanhados durante 18 meses.
As costas foram a região mais afetada, citada por pouco mais da metade dos participantes. Em seguida apareceram as pernas e o pescoço, embora a dor possa surgir em qualquer parte do sistema musculoesquelético.
Os pesquisadores também questionam o uso da expressão "dor de crescimento". Segundo Tiê Yamato, não há evidências científicas de que os estirões de crescimento provoquem dor. O termo, bastante difundido, pode levar pais e profissionais a minimizar sintomas que merecem investigação.
Como muitas vezes a dor não aparece em exames de imagem, o diagnóstico depende principalmente da avaliação clínica e do relato da criança ou do adolescente. Além dos aspectos físicos, o estudo aponta que fatores como qualidade do sono, sintomas psicossomáticos e o ambiente familiar também podem influenciar a recuperação.
A recomendação é que crianças e adolescentes com dores recorrentes sejam acompanhados por profissionais de saúde, mesmo quando o prognóstico é favorável. A avaliação deve considerar não apenas os sintomas físicos, mas também a qualidade de vida e o contexto emocional do paciente, reduzindo o risco de evolução para dores crônicas na vida adulta.
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