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Responsabilidade Social • 09:14h • 27 de outubro de 2024

Entenda como o idadismo se manifesta na sociedade e saiba como enfrentá-lo

Nova matéria da série do MDHC que ajuda a identificar diferenças entre ódio e opinião aborda preconceito em razão da idade; confira

Da Redação com informações do Ministério dos Direitos Humanos | Foto: Divulgação

Violações de direitos registradas em outubro deste ano já ultrapassam todo o período de 2023
Violações de direitos registradas em outubro deste ano já ultrapassam todo o período de 2023

Prática discriminatória, estereotipada e depreciativa, o idadismo é o preconceito que limita a compreensão de um indivíduo em relação ao outro em face da idade. Definido em 1969 pelo psiquiatra e gerontólogo estadunidense Robert Neil Butler, o termo também foi classificado, em 2021, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no Relatório Mundial sobre Idadismo, enfatizando que essa discriminação resulta em ódio, violência e intolerância contra, especialmente, pessoas com 60 anos ou mais.

Dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, por meio do Disque 100, revelam que penas em 2023 foram registradas 143,5 mil denúncias de violência contra pessoas idosas. Tais denúncias abrangem mais de 841 mil violações de direitos, pois uma denúncia pode conter mais de uma violação. As suspeitas se referem a negligências, maus-tratos e violência patrimonial, entre outros.

Em 2024, esses números foram ultrapassados na última segunda-feira (21), quando o painel do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) atualizou mais 146,5 mil suspeitas que incluem cerca de 846,5 mil violações contra pessoas idosas.

Um nó no tecido social

Se na década de 1980 o Brasil era considerado um país jovem, na atualidade o processo de envelhecimento populacional tem se acentuado. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) coletado no último Censo Demográfico 2022 indica que a população começará a diminuir a partir de 2042. Antes disso, em 2030, as pessoas com 60 anos ou mais ultrapassarão o grupo social composto por crianças – é o que diz o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social.

Com o aumento na expectativa de vida, começam a surgir mudanças na forma como as gerações se relacionam. De acordo com a doutora em Saúde Pública e coordenadora do Grupo de Informação em Saúde e Envelhecimento (Gise), do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), Dalia Romero, essa rápida transição demográfica brasileira é um dos fatores do aumento do idadismo no Brasil.

Para a especialista, o envelhecimento demográfico coincide com a perda de direitos trabalhistas e a falta de perspectiva dos jovens de ter seguridade social no futuro. “Imagina a convivência entre cinco gerações, em que pessoas vivem muito mais e os jovens têm dificuldade em encontrar um emprego que dê segurança. Estamos em um nó social muito sério que está criando uma rejeição à pessoa idosa que está sobrevivendo”, alertou.

O preconceito em três formas

A fim de enfrentar essa realidade, Romero aponta três tipos de idadismo: o institucional, referente às leis, regras, normas sociais, políticas e práticas institucionais; o interpessoal, que surge em interações entre duas ou mais pessoas; ou o autodirigido, que é internalizado pela pessoa que usa contra si própria essa discriminação.

Para a especialista, o idadismo ainda é invisibilizado na sociedade, apesar de estar presente no cotidiano por meio de comentários maliciosos e na maneira em que são priorizadas as políticas públicas para pessoas idosas e na ciência - no que se refere à falta de interesse em financiar pesquisas nessa área, por exemplo.

Editor científico da Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia e atual diretor de Proteção da Pessoa Idosa da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do MDHC, Kenio Costa de Lima, afirma que superar este desafio compromete todos os setores sociais. “Essa lógica de idadismo estrutural é muito permeada pela lógica capitalista, de venda de força de produção, e isso está enraizado em nossa sociedade em todos os espaços, especialmente no ambiente de trabalho e nas instituições”, frisa.

Impactos do idadismo e enfrentamento

Ansiedade, depressão, sentimento de inferioridade e falta de confiança em si são alguns dos impactos que o idadismo gera em quem sofre a violência, conforme assegura o psicólogo, mestre e doutor em psicologia José Carlos Ferrigno. Também especialista em programas intergeracionais e atuante em projetos de preparação para a aposentadoria, ele já atendeu muitos pacientes que sofreram idadismo em variadas situações.

Ferrigno ressalta a importância de reconhecer as limitações que as pessoas idosas enfrentam, sem o estereótipo do preconceito. “A gente não pode esconder limitações que a idade vai impondo, sobretudo ao nosso corpo, o que é uma realidade. Uma coisa é encarar com coragem e realismo as perdas reais causadas pelo envelhecimento, outra coisa, é interiorizar o preconceito de que velhice é sinônimo de doença, de que as pessoas idosas não têm serventia social, que representam um peso”, relaciona.

Para o psicólogo, a fim de que preconceito etário seja superado, uma das saídas é a convivência entre as gerações. Segundo José Carlos, as pessoas avaliam e julgam mal aquilo que desconhecem. “A gente tem que refletir sobre essa ideia da importância da convivência com o diferente para que possamos conquistar uma tolerância a essa diferença e, se possível, em um grau mais elevado da humanidade, superar essa intolerância para um outro sentimento, muito mais elevado, que é de desejar o convívio o diverso”, aconselhou.

Outra forma de enfrentar, de acordo com o diretor no MDHC Kenio Costa de Lima é para proteger direitos por meio da legislação, trazendo a transversalidade do envelhecimento em todos os âmbitos: no meio-ambiente, no transporte, no turismo, na habitação e na economia. “O sentido da política pública é melhorar a vida das pessoas, sobretudo aquelas que não têm acesso. Se eu melhoro a vida das pessoas, elas envelhecem”, destaca.

Além disso, intervenções educacionais e intervenções intergeracionais, também chamadas de contato, contribuem para o enfrentamento do preconceito. “Via de regra, quando a gente fala dessas intervenções intergeracionais ou fala da intergeracionalidade, a gente não está falando apenas de criança e idoso. A gente precisa trazer todas as gerações envolvidas nesse processo”, disse.

Além disso, Kenio evidencia a importância da comunicação para o combate efetivo ao idadismo. Segundo o diretor, a junção da educação com a comunicação reduz conflitos geracionais. Um documento que contribui nessa perspectiva é o “Guia para uma comunicação responsável sobre a pessoa idosa”, uma versão adaptada e traduzida pelo MDHC em 2023 a partir da experiência argentina no âmbito da Comissão Permanente de Direitos Humanos da Pessoa Idosa da Reunião de Altas Autoridades em Direitos Humanos do Mercosul(RAADH), realizada em Buenos Aires.

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