Ciência e Tecnologia • 10:20h • 27 de abril de 2026
Entenda como teste genético pode antecipar diagnóstico de câncer de mama
Tecnologia que identifica risco hereditário pode ampliar prevenção e diagnóstico precoce na rede pública
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da MXP Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) aprovou a análise para inclusão de um teste genético voltado à identificação de risco hereditário de câncer de mama no sistema público de saúde. A solicitação foi apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e marca um avanço no debate sobre acesso a tecnologias de diagnóstico mais precisas no país.
O exame, conhecido como Sequenciamento de Nova Geração, permite identificar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas a um risco elevado de desenvolvimento de câncer de mama e ovário. Atualmente, esse tipo de teste não é ofertado de forma regular pelo SUS, embora já esteja disponível em planos de saúde e em iniciativas pontuais de alguns estados.
Entenda o impacto do teste genético
Estudos indicam que entre 5% e 10% dos casos de câncer estão ligados a fatores hereditários. No caso do câncer de mama, cerca de metade dessas ocorrências envolve alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.
Pessoas com essas mutações podem apresentar risco de 60% a 80% de desenvolver câncer de mama ao longo da vida, além de maior probabilidade para outros tipos, como o de ovário. A identificação precoce dessas alterações permite adotar estratégias de prevenção e acompanhamento mais direcionadas.
Entre as possibilidades estão exames de monitoramento mais frequentes e, em alguns casos, medidas médicas para redução de risco, o que pode impactar diretamente na detecção precoce e nas chances de tratamento.
Como será a possível implementação no SUS
A proposta em análise prevê uma incorporação gradual da tecnologia, começando por um público específico considerado de maior risco. A ideia é ampliar o acesso de forma progressiva, com avaliação dos impactos clínicos e financeiros ao longo do tempo.
O estudo que embasou o pedido analisou não apenas os benefícios clínicos, mas também a relação entre custo e efetividade. A expectativa é que, ao identificar precocemente pessoas com maior risco, seja possível reduzir gastos futuros com tratamentos mais complexos, além de melhorar os resultados de saúde.
Outro ponto destacado é a possibilidade de ampliar a testagem para familiares, o que pode contribuir para estratégias preventivas mais amplas dentro de um mesmo grupo familiar.
Por que o tema ganha relevância agora
O acesso ao teste genético ainda é desigual no Brasil, concentrado principalmente na rede privada ou em projetos regionais. A discussão sobre a inclusão no SUS busca reduzir essa diferença e ampliar o acesso à informação genética para a população atendida pelo sistema público, que representa cerca de 80% dos brasileiros.
Especialistas envolvidos no processo destacam que a medida pode representar um passo importante na construção de uma linha de cuidado mais completa, envolvendo diagnóstico, prevenção e acompanhamento.
A expectativa, caso a incorporação seja confirmada nas próximas etapas, é que o SUS avance na oferta de exames mais modernos, alinhados às estratégias atuais de medicina preventiva e personalizada.
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