Saúde • 10:16h • 16 de fevereiro de 2026
Entenda o que é licença compulsória e por que ela não “quebra” a patente
Advogado explica que licença compulsória é prevista em lei e não significa “quebra” automática da patente
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da M2 Comunicação Jurídica | Foto: Arquivo/Âncora1
A Câmara dos Deputados aprovou, em 9 de fevereiro, o regime de urgência para o Projeto de Lei nº 68/2026, que declara os medicamentos Mounjaro e Zepbound como de interesse público e abre caminho para possível licença compulsória no Brasil. A proposta recebeu 337 votos favoráveis e 19 contrários e poderá ser votada diretamente no plenário. Os medicamentos utilizam a tirzepatida, indicada para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, em um cenário de alta demanda e preços considerados elevados.
O debate reacendeu discussões sobre acesso a medicamentos, proteção de patentes e impacto na inovação. Popularmente chamada de “quebra de patente”, a medida é, na verdade, uma licença compulsória prevista na Lei de Propriedade Industrial.
O que é licença compulsória
Segundo o advogado Luiz Fernando Plastino, especialista em Propriedade Intelectual, Privacidade e Proteção de Dados do escritório Barcellos Tucunduva Advogados, o termo “quebra de patente” não é tecnicamente correto. Ele explica que a patente continua existindo, mas o governo pode autorizar que outras empresas produzam ou importem o medicamento sem autorização do titular, desde que seja reconhecido formalmente um cenário de interesse público.
Plastino destaca que a licença compulsória está prevista na legislação brasileira e em acordos internacionais. O projeto em discussão declara os medicamentos de interesse nacional para enfrentar problemas de saúde pública, o que, segundo ele, pode se enquadrar nas hipóteses legais, embora o conceito de interesse público possa ser debatido.
Como funcionaria na prática
Mesmo com a aprovação do regime de urgência, os efeitos não seriam imediatos. A aplicação depende de decreto do Poder Executivo, que deve definir quais patentes seriam atingidas, por quanto tempo, quais empresas poderiam produzir o medicamento e qual seria a remuneração paga ao titular da patente.
O especialista ressalta que a simples tramitação do projeto pode influenciar preços e negociações. Ele afirma que os titulares das patentes podem buscar acordos, como redução de preços ou ampliação da oferta, antes da efetiva aplicação da licença compulsória.
Impacto na inovação
O debate também envolve preocupações sobre segurança jurídica e estímulo à inovação. No sistema de patentes, o Estado concede exclusividade temporária para que empresas recuperem investimentos e desenvolvam novas tecnologias. A licença compulsória é uma exceção prevista em lei para situações específicas.
Plastino explica que, mesmo com a licença, o titular continua recebendo remuneração, mas perde o controle sobre quem pode fabricar e comercializar o produto. Para ele, a medida deve ser utilizada com cautela e avaliação técnica detalhada.
O Brasil já adotou licença compulsória em outras ocasiões, principalmente na área de medicamentos, com resultados considerados relevantes para a política de saúde pública. Agora, a eventual votação do PL nº 68/2026 poderá influenciar não apenas o acesso à tirzepatida, mas também o debate sobre o equilíbrio entre proteção à inovação e garantia de acesso a tratamentos.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas
Ciência e Tecnologia
Paralisação completa do 3I/Atlas intriga cientistas e realinhamento aponta para novo comportamento
Registros confirmados por observatórios independentes em três continentes mostram desaceleração em microetapas, parada total e ajuste direcional incomum, ampliando questionamentos sobre a natureza do visitante interestelar
Ciência e Tecnologia
3I/ATLAS surpreende e se aproxima da esfera de Hill de Júpiter com precisão inédita