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Saúde • 18:37h • 15 de maio de 2026

Entenda os sinais que podem revelar sofrimento emocional na infância

Psicóloga Ive Camanducci explica que mudanças persistentes de comportamento, sintomas físicos e dificuldades emocionais podem indicar necessidade de atenção e acolhimento

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Dampress Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Irritabilidade, isolamento e queda escolar podem ser alertas emocionais em crianças
Irritabilidade, isolamento e queda escolar podem ser alertas emocionais em crianças

Mudanças de comportamento, irritabilidade, isolamento, agressividade, queda no rendimento escolar e sintomas físicos sem causa médica aparente podem ser sinais de sofrimento emocional em crianças, segundo explica a psicóloga Ive Camanducci, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Sistêmica. A profissional destaca que, diferentemente dos adultos, crianças geralmente não conseguem verbalizar o que sentem e acabam expressando emoções por meio de atitudes, reações e alterações no comportamento cotidiano.

De acordo com Ive Camanducci, muitos desses sinais acabam sendo confundidos com fases do desenvolvimento, características de personalidade ou questões ligadas à disciplina. Embora algumas mudanças possam fazer parte do crescimento infantil, a persistência, a intensidade e os impactos na rotina exigem atenção mais cuidadosa.

A psicóloga afirma que, dentro de uma perspectiva sistêmica, o comportamento da criança não deve ser analisado de forma isolada. Segundo ela, emoções, vínculos familiares e o ambiente em que a criança está inserida influenciam diretamente a forma como esse sofrimento se manifesta.

“Aquilo que a criança expressa nem sempre diz respeito apenas a ela. Muitas vezes, o comportamento funciona como uma forma de comunicação dentro do sistema familiar”, explica Ive Camanducci.

Mudanças de comportamento exigem atenção

Entre os principais sinais de alerta estão alterações persistentes no comportamento habitual. Crianças antes tranquilas podem se tornar agitadas, impulsivas ou opositoras. Em outros casos, podem apresentar retraimento, silêncio excessivo, perda de interesse por atividades antes prazerosas e isolamento social.

Segundo a psicóloga, a agressividade costuma ser interpretada apenas como um problema comportamental, quando, em muitos casos, representa dificuldade de regulação emocional. A criança sente desconforto, insegurança ou tensão emocional, mas ainda não possui recursos para compreender ou organizar essas emoções de maneira adequada.

Outro sinal importante citado por Ive Camanducci é a regressão comportamental. Voltar a apresentar atitudes já superadas, como dependência excessiva, alterações no sono ou dificuldades relacionadas ao controle fisiológico, pode indicar necessidade de proteção emocional diante de situações de insegurança.

A especialista também chama atenção para manifestações mais silenciosas, como dificuldade de concentração, queda no desempenho escolar e desinteresse pelas atividades do dia a dia. Segundo ela, esses sinais podem refletir sobrecarga emocional e interferir diretamente no aprendizado e nas relações sociais.

Sintomas físicos também podem indicar sofrimento

Além das mudanças emocionais e comportamentais, dores de cabeça frequentes, dores abdominais, alterações no apetite e problemas no sono podem representar formas de expressão emocional, principalmente quando não existe causa médica identificada.

Ive Camanducci explica que, em muitos casos, o corpo acaba funcionando como canal de comunicação do sofrimento emocional. Quando a criança ainda não consegue simbolizar ou verbalizar o que sente, o desconforto pode surgir fisicamente.

Dentro da abordagem sistêmica, esses sintomas também podem exercer funções nas dinâmicas familiares. A psicóloga ressalta que determinados comportamentos ou manifestações físicas podem surgir como resposta inconsciente a conflitos, tensões ou desequilíbrios no ambiente familiar.

“O foco não deve ser a busca por culpados, mas a compreensão das relações e das dinâmicas emocionais presentes naquele contexto”, afirma.

Família e ambiente emocional influenciam desenvolvimento infantil

Segundo Ive Camanducci, a organização familiar e a relação entre os pais possuem impacto direto no desenvolvimento emocional da criança. Ambientes marcados por conflitos constantes, ausência de diálogo, instabilidade emocional ou falta de alinhamento entre os responsáveis podem gerar insegurança e desorganização emocional.

A psicóloga destaca ainda que crianças são altamente sensíveis ao estado emocional dos cuidadores, principalmente nos primeiros anos de vida. Ansiedade, tensão e insegurança, mesmo quando não verbalizadas, acabam sendo percebidas e influenciam a forma como a criança desenvolve sua capacidade de lidar com emoções.

Ela também alerta para o risco de diagnósticos precipitados. Embora transtornos e condições clínicas existam e precisem ser identificados corretamente, a profissional reforça a importância de avaliações cuidadosas, que considerem fatores emocionais, familiares e relacionais antes de qualquer conclusão.

Escuta e acolhimento ajudam na identificação precoce

Para Ive Camanducci, identificar sofrimento emocional infantil exige observação contínua dos padrões de comportamento, frequência das alterações e intensidade dos sinais apresentados pela criança.

Nesse processo, a participação da família, da escola e de outros adultos envolvidos na rotina infantil é considerada fundamental. O ambiente escolar, por exemplo, pode oferecer informações importantes sobre interação social, desempenho e mudanças comportamentais.

Quando necessário, a busca por ajuda profissional deve ser encarada como um cuidado preventivo e acolhedor. Segundo a psicóloga, a psicoterapia infantil, especialmente dentro da abordagem sistêmica, trabalha não apenas com a criança, mas também com o contexto familiar, promovendo reorganização emocional e fortalecimento dos vínculos.

“Crianças nem sempre conseguem dizer o que sentem, mas demonstram isso de diferentes formas. Quanto mais cedo esses sinais forem compreendidos, maiores são as possibilidades de acolhimento e desenvolvimento emocional saudável”, conclui Ive Camanducci.

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