Ciência e Tecnologia • 14:58h • 11 de julho de 2026
Entenda por que cibersegurança e ciberdefesa deixaram de ser tratados como sinônimos
Especialista explica a diferença entre cibersegurança e ciberdefesa e destaca como o novo projeto pode fortalecer a prevenção e a resposta a incidentes cibernéticos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Projeto de Lei nº 4.752/2025, que cria o Marco Legal da Cibersegurança, tem ampliado as discussões sobre a proteção digital no Brasil e reforçado a necessidade de diferenciar dois conceitos frequentemente confundidos: cibersegurança e ciberdefesa. Em debate no Congresso Nacional, a proposta busca estabelecer diretrizes para fortalecer a prevenção e a resposta a ataques cibernéticos envolvendo empresas, serviços essenciais e o poder público.
O tema ganhou destaque durante audiência pública realizada no Senado Federal, com a participação de Marta Schuh, diretora de Seguros Cibernéticos e Tecnológicos da Howden Brasil e autora de parecer técnico sobre o projeto. Segundo a especialista, compreender a diferença entre os dois conceitos é fundamental para definir as responsabilidades de cada setor diante do aumento dos riscos digitais.
Cibersegurança e ciberdefesa têm funções diferentes
De acordo com Marta, a cibersegurança está relacionada às ações adotadas por empresas e organizações para prevenir ataques, gerenciar riscos e responder a incidentes que afetem seus próprios sistemas.
Já a ciberdefesa é uma atribuição do Estado, responsável por coordenar ações quando ataques comprometem infraestruturas críticas ou serviços essenciais para a população, como energia elétrica, telecomunicações e sistema financeiro.
"A cibersegurança precisa fazer parte da estratégia de qualquer organização. Ela envolve prevenção, gestão de riscos e capacidade de resposta. Já a ciberdefesa é uma responsabilidade do Estado, que deve coordenar ações para proteger infraestruturas críticas e atuar quando um incidente extrapola os limites de uma empresa e passa a representar riscos para serviços essenciais ou para a população", afirma.
Marco Legal reforça responsabilidade das empresas
Segundo a especialista, o Marco Legal da Cibersegurança deverá ampliar a responsabilidade das organizações na adoção de medidas preventivas para reduzir impactos de ataques virtuais.
Entre as recomendações estão a avaliação do nível de maturidade cibernética da empresa, a identificação de vulnerabilidades, o uso de frameworks reconhecidos pelo mercado e o fortalecimento da gestão de riscos.
Para Schuh, muitas organizações ainda tratam a cibersegurança apenas como um custo, quando ela deve ser encarada como parte da estratégia de continuidade dos negócios.
Seguro cibernético também entra no debate
Outro ponto defendido pela especialista durante a discussão do projeto é o reconhecimento do seguro cibernético como instrumento complementar à Política Nacional de Cibersegurança.
Segundo Schuh, além de oferecer suporte financeiro em caso de incidentes, esse tipo de seguro incentiva empresas a adotarem melhores práticas de governança, prevenção e gestão de riscos, contribuindo para aumentar a resiliência das organizações diante do crescimento das ameaças digitais.
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