Responsabilidade Social • 20:23h • 02 de julho de 2026
Entender a morte encefálica pode transformar uma perda em novas chances de vida para outras pessoas
Especialista explica por que compreender o diagnóstico e conversar sobre o tema em vida pode ampliar os transplantes e salvar mais pessoas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da V3com Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O Brasil registrou um recorde de transplantes em 2025, mas um dos principais desafios para ampliar esse número continua sendo a recusa familiar. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), quase metade das famílias ainda não autoriza a doação de órgãos, muitas vezes por dúvidas sobre o diagnóstico de morte encefálica e pela falta de conversas sobre o assunto antes de situações de emergência.
A autorização da família é indispensável para que a doação aconteça nos casos de morte encefálica. Para especialistas, a informação correta e o diálogo em vida podem fazer a diferença para transformar uma perda em esperança para quem aguarda um transplante.
Morte encefálica é um diagnóstico definitivo
De acordo com a médica intensivista Fernanda Resende, do Hospital Angelina Caron, na Região Metropolitana de Curitiba, um dos principais equívocos é confundir morte encefálica com coma.
"Estamos tratando do óbito do paciente. Diferentemente do coma, em que ainda existe atividade cerebral e possibilidade de recuperação, a morte encefálica representa a ausência total de atividade cerebral e caracteriza a morte do indivíduo", explica.
Ela destaca que muitas famílias estranham o fato de o paciente ainda apresentar batimentos cardíacos e temperatura corporal. Isso ocorre porque essas funções podem ser mantidas temporariamente por aparelhos e medicamentos, enquanto o cérebro já perdeu de forma irreversível todas as suas funções.
Como o diagnóstico é confirmado
No Brasil, o diagnóstico segue um protocolo rigoroso definido pelo Conselho Federal de Medicina. O processo inclui dois exames clínicos realizados por médicos habilitados, teste de apneia e um exame complementar que confirma a ausência de circulação sanguínea no cérebro.
Segundo Fernanda Resende, quando essas etapas são explicadas de maneira clara e acolhedora, as famílias conseguem compreender melhor o diagnóstico e tomar uma decisão mais consciente.
O trabalho continua após a confirmação
Caso a família autorize a doação, a equipe da UTI inicia imediatamente um protocolo para preservar os órgãos até a chegada das equipes responsáveis pela captação.
"Nosso papel é garantir que coração, pulmões, fígado e rins permaneçam viáveis para beneficiar outros pacientes que aguardam na fila de transplantes", afirma a intensivista.
Esse trabalho envolve médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais que atuam tanto na manutenção clínica quanto no acolhimento da família.
Conversar hoje pode salvar vidas amanhã
Para a especialista, a melhor forma de reduzir a recusa familiar é falar sobre o desejo de ser doador ainda em vida. "Quando essa conversa não acontece, a decisão fica nas mãos da família em um momento de extrema dor e fragilidade", destaca.
Ela reforça que compreender a morte encefálica como um diagnóstico definitivo ajuda as famílias a enxergarem que, mesmo diante de uma perda irreparável, a doação pode representar uma nova oportunidade para diversas pessoas que aguardam na fila por um transplante.
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