Economia • 16:13h • 21 de janeiro de 2026
Entre juros altos e custos crescentes, famílias voltam a planejar o carro próprio
Com veículos mais caros, despesas fixas pressionadas e juros elevados, consumidores planejam a compra priorizando previsibilidade e alternativas sem juros
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O carro próprio voltou a ocupar espaço central no planejamento financeiro das famílias brasileiras. A combinação de preços elevados dos veículos, aumento de custos fixos como IPVA, seguro e manutenção, além do crédito tradicional ainda restrito, tem levado consumidores a reavaliar a mobilidade e a buscar modelos de aquisição que ofereçam maior previsibilidade ao orçamento, como o consórcio.
Levantamentos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas indicam que os preços médios dos automóveis novos seguem em patamar elevado após altas acumuladas nos últimos anos, influenciadas por custos industriais, câmbio e ajustes na cadeia produtiva. No mercado de usados, a valorização também persiste, encarecendo a troca do veículo e exigindo maior organização financeira por parte do consumidor.
Para Leonardo Baldez, a retomada do interesse não está associada apenas ao desejo de consumo, mas a uma decisão prática. Segundo ele, o custo de manter a mobilidade sem carro aumentou, com gastos recorrentes em transporte por aplicativo, deslocamentos diários e demandas familiares pesando mais no orçamento, o que leva muitas famílias a reavaliar a compra do veículo próprio.
Pressão das despesas muda a forma de compra
Além do valor de aquisição, as despesas fixas passaram a ter papel decisivo na decisão. O IPVA concentrado no início do ano, o seguro automotivo, influenciado pelo valor do veículo e pela sinistralidade, e os custos de manutenção, impactados por peças e serviços mais caros, ampliaram a cautela dos consumidores.
Nesse cenário, Baldez observa uma mudança clara de comportamento. Com juros elevados, o financiamento tradicional encarece significativamente o custo final do carro. Como alternativa, o consórcio aparece como ferramenta de planejamento, permitindo diluir o valor sem a incidência de juros e com parcelas previsíveis, fator que tem ganhado peso na decisão de compra.
Consórcio ganha espaço no planejamento familiar
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o consórcio de veículos mantém crescimento consistente no país, com tickets médios considerados mais acessíveis em comparação ao financiamento. O modelo permite a aquisição de carros novos ou usados, além de motos e utilitários, com prazos mais longos e menor impacto imediato no orçamento.
Segundo Baldez, o consórcio deixou de ser visto como opção distante e passou a ser encarado como instrumento de organização financeira, especialmente por consumidores que não têm urgência na compra e buscam evitar o custo dos juros. O formato também tem atraído públicos mais jovens, que priorizam planejamento em vez de endividamento imediato.
Perfis de aquisição se diversificam
É possível identificar ao menos três perfis predominantes de compradores. O primeiro reúne famílias em busca do primeiro carro, motivadas por mudanças na rotina ou pelo aumento do custo do transporte diário. O segundo envolve consumidores que planejam a troca do veículo e utilizam o consórcio como forma de organizar a compra. Já o terceiro perfil é formado por pequenas e médias empresas, que recorrem ao modelo para renovar ou ampliar frotas.
No caso das empresas, o consórcio funciona como ferramenta de gestão de caixa, permitindo planejar a renovação da frota sem comprometer o capital de giro.
Planejamento passa a ser o eixo central
Especialistas alertam que, apesar da retomada do interesse pelo carro próprio, a decisão exige uma visão ampla dos custos envolvidos. Não basta considerar apenas a parcela do consórcio. IPVA, seguro e manutenção precisam estar previstos desde o início do planejamento.
Com a perspectiva de manutenção do crédito caro no curto prazo, a tendência é que alternativas sem juros sigam em evidência ao longo de 2026. O consumidor busca mobilidade, mas sem comprometer a saúde financeira, e esse equilíbrio tem orientado as decisões de compra.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos