Saúde • 15:21h • 01 de julho de 2026
Epilepsia resistente ganha novo tratamento no Brasil, mas diagnóstico ainda é o maior desafio
Cenobamato amplia as opções de tratamento para adultos com epilepsia focal farmacorresistente, porém diagnóstico precoce e acompanhamento continuam sendo decisivos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Divulgação
A aprovação do medicamento Cenobamato pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em março de 2026, representa um novo avanço no tratamento da epilepsia focal farmacorresistente em adultos. Indicado para pacientes que continuam apresentando crises mesmo após o uso de outras terapias, o medicamento amplia as alternativas disponíveis em um cenário no qual cerca de 30% das pessoas com epilepsia não respondem adequadamente aos tratamentos convencionais.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia no mundo, tornando a condição uma das doenças neurológicas mais frequentes. Apesar da chegada de novas terapias, especialistas ressaltam que o controle das crises depende de um conjunto de fatores que vai além do acesso aos medicamentos.
Diagnóstico correto continua sendo um dos maiores desafios
Embora novas opções terapêuticas tragam perspectivas positivas para pacientes com epilepsia resistente, médicos alertam que o sucesso do tratamento começa com um diagnóstico preciso.
A neurofisiologista clínica Kamylla Thiago de Almeida, cofundadora da ICTAL e especialista em diagnóstico e acompanhamento de pacientes com epilepsia, explica que compreender corretamente o tipo de crise e a evolução clínica de cada paciente é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica.
Segundo a especialista, mesmo medicamentos inovadores podem apresentar resultados limitados quando o diagnóstico não é preciso ou o acompanhamento ocorre de forma inadequada.
Demora no atendimento ainda compromete o tratamento
Além das dificuldades relacionadas ao diagnóstico, especialistas apontam que muitos pacientes enfrentam barreiras para conseguir atendimento com neurologistas e realizar o acompanhamento contínuo da doença.
A ausência de monitoramento adequado das crises dificulta a avaliação da eficácia dos medicamentos e pode atrasar ajustes importantes no tratamento.
Para a especialista, o uso integrado de informações clínicas, exames e tecnologias de acompanhamento permite personalizar o tratamento e aumentar as chances de controle das crises, objetivo considerado essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Avanço terapêutico amplia debate sobre a epilepsia
A chegada do Cenobamato também reforça a importância de ampliar a discussão sobre a epilepsia resistente, condição que afeta milhares de brasileiros e exige acompanhamento especializado ao longo da vida.
Especialistas destacam que investir em diagnóstico precoce, acesso a profissionais capacitados e monitoramento contínuo é tão importante quanto disponibilizar novos medicamentos, já que essas medidas contribuem para tratamentos mais individualizados e melhores resultados clínicos.
A aprovação do novo medicamento representa mais uma alternativa para pacientes que convivem com crises persistentes, mas evidencia que o cuidado com a epilepsia depende de uma abordagem integrada, envolvendo diagnóstico, acompanhamento e acesso às terapias mais adequadas para cada caso.
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