Educação • 14:09h • 07 de abril de 2026
Equipar salas de aula pode passar de R$ 90 mil e pressiona orçamento de escolas
Alternativa de reindustrialização de móveis promete reduzir custos em até 50% e liberar recursos para educação
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Mention | Foto: Arquivo/Âncora1
O custo para equipar salas de aula com mobiliário escolar tem pressionado o orçamento de escolas públicas e privadas no Brasil. Segundo levantamento da Reescola, empresa especializada na reindustrialização de móveis educacionais, montar seis salas pode ultrapassar R$ 90 mil, considerando conjuntos que variam entre R$ 400 e R$ 700 por aluno, dentro do padrão homologado pelo FNDE.
O impacto financeiro cresce rapidamente em redes de maior porte. Simulações indicam que três salas com 30 alunos podem custar cerca de R$ 48.500, enquanto a estruturação de 12 salas supera R$ 190 mil, valor equivalente ao de um carro popular. Esse cenário reduz a capacidade de investimento em áreas consideradas estratégicas, como formação de professores, tecnologia e melhorias pedagógicas.
Apesar disso, a infraestrutura física ainda ocupa pouco espaço no debate educacional. Itens básicos como carteiras e cadeiras são essenciais para o funcionamento das escolas, mas raramente aparecem como prioridade na discussão sobre eficiência do gasto público e privado.
Modelo reduz custos e amplia capacidade de investimento
Diante desse cenário, a reindustrialização do mobiliário escolar surge como alternativa para reduzir custos sem comprometer qualidade. O modelo consiste no reaproveitamento das estruturas metálicas de mesas e cadeiras, que passam por tratamento industrial, enquanto partes como tampos e assentos são produzidas novamente.
Dados da Reescola apontam que escolas que adotaram esse sistema conseguiram reduzir em até 50% os gastos com mobiliário, com economia acumulada superior a R$ 2 milhões. Na prática, isso permite redirecionar recursos para áreas diretamente ligadas ao aprendizado.
Atualmente, a empresa atende mais de 200 escolas em diferentes regiões do país, com presença em redes ligadas a sistemas de ensino como COC, Anglo e Objetivo.
Infraestrutura também impacta qualidade do ensino
Especialistas destacam que a infraestrutura escolar é parte fundamental da qualidade educacional. A redução de custos nesse segmento pode ampliar a capacidade de investimento em políticas pedagógicas e inovação.
Segundo a CEO da Reescola, Laura Camargos, a discussão sobre educação precisa incluir a base material das escolas. A possibilidade de reduzir custos sem perder qualidade abre espaço para investimentos com impacto direto no ensino.
Além do aspecto financeiro, o modelo também traz ganhos ambientais. Estudos do setor metalúrgico indicam que a produção das estruturas metálicas concentra a maior parte das emissões de carbono do mobiliário escolar. Ao reaproveitar essas estruturas, é possível reduzir impactos ambientais e evitar desperdício de materiais.
Com orçamentos cada vez mais limitados, soluções que combinam economia, sustentabilidade e eficiência ganham espaço no setor educacional. A reindustrialização do mobiliário surge como uma dessas alternativas, com potencial de impacto direto dentro da sala de aula.
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