Educação • 13:38h • 12 de julho de 2026
Escola bilíngue não é o único caminho para criar filhos fluentes em outro idioma
Especialista afirma que a exposição diária ao idioma dentro de casa pode ser mais importante do que escolas especializadas; curso gratuito reúne estratégias utilizadas por famílias de diferentes países
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Criar uma criança bilíngue não depende, necessariamente, de uma escola especializada ou de pais fluentes em outro idioma. Especialistas em desenvolvimento da linguagem afirmam que a convivência frequente com uma segunda língua, mesmo em pequenas situações do dia a dia, pode favorecer a aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
A proposta ganha força com o lançamento do curso gratuito "Como Educar Seu Filho Bilíngue", da plataforma Kultivi. Voltado a pais e responsáveis, o conteúdo apresenta estratégias para inserir um segundo idioma na rotina das crianças utilizando recursos acessíveis, como músicas, livros, histórias, brincadeiras e desenhos.
Exposição ao idioma faz diferença na infância
Segundo o hiperpoliglota Thales Oliveira, membro da Associação Internacional de Hiperpoliglotas e responsável pelo curso, um dos maiores equívocos é acreditar que apenas escolas bilíngues ou pais fluentes conseguem proporcionar esse aprendizado.
De acordo com o especialista, pesquisas sobre desenvolvimento infantil apontam que a exposição frequente, significativa e positiva ao idioma exerce papel decisivo na aquisição da linguagem durante a primeira infância.
Entre as estratégias apresentadas estão métodos utilizados por famílias multilíngues em diferentes países, como o OPOL (One Parent, One Language), o Time and Place, que reserva momentos específicos para o uso do idioma, e o Minority Language at Home (MLAH), que incentiva o uso predominante da segunda língua dentro de casa.
Ambiente vale mais do que investimento
Para o especialista, criar um ambiente favorável ao contato com outro idioma pode ser mais importante do que o valor investido na educação.
Ler histórias antes de dormir, ouvir músicas, assistir a desenhos em outro idioma ou incluir palavras estrangeiras em brincadeiras cotidianas são exemplos de atividades que ajudam a tornar o aprendizado mais natural, sem transformar a casa em uma sala de aula.
Segundo Thales, atualmente também existem diversas alternativas gratuitas ou de baixo custo, incluindo conteúdos digitais, aplicativos, professores online e materiais educativos disponíveis na internet.
Benefícios vão além da fluência
Além do domínio de outro idioma, a educação bilíngue pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, como memória, atenção, flexibilidade mental e resolução de problemas.
O especialista destaca ainda que o contato com diferentes culturas favorece a empatia, amplia o repertório cultural e prepara as crianças para um mundo cada vez mais conectado.
Para ele, o maior erro das famílias é esperar pelas condições ideais para começar. A regularidade do contato com o idioma, ainda que por poucos minutos por dia, tende a produzir resultados mais consistentes ao longo do tempo.
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