Educação • 18:36h • 12 de maio de 2026
Escola de Curitiba cria jornal produzido por alunos para estimular leitura e combater fake news
Projeto coloca estudantes de 12 a 14 anos no papel de jornalistas e fortalece pensamento crítico em meio ao excesso de informações digitais
Da Redação | Com informações da Assessoria de Imprensa NoAr | Foto: Escola Pedro Apóstolo/Divulgação
Em um cenário marcado pela circulação acelerada de conteúdos nas redes sociais e pelo avanço das fake news, uma escola de Curitiba decidiu apostar no jornalismo estudantil como ferramenta de aprendizado e formação crítica. Desde 2024, a Escola Pedro Apóstolo mantém um jornal produzido integralmente por alunos entre 12 e 14 anos, que participam de todas as etapas da produção editorial.
A iniciativa reúne atualmente seis estudantes, acompanhados por duas pedagogas e um designer, em uma estrutura que funciona como uma pequena redação escolar. Os alunos participam de reuniões de pauta, pesquisam temas, produzem textos e acompanham a publicação das edições mensais.
O projeto surge em meio a um cenário preocupante relacionado à leitura e compreensão de textos no Brasil. Dados do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que três em cada dez brasileiros são considerados analfabetos funcionais, enquanto entre os jovens o índice chega a 16%.
Projeto transforma alunos em protagonistas da informação
Na Escola Pedro Apóstolo, os estudantes assumem o protagonismo do processo jornalístico.
A seleção para integrar a equipe do jornal ocorre por meio de um processo seletivo com prova de gramática e redação, buscando alunos interessados em desenvolver habilidades ligadas à escrita, leitura e pesquisa.
Segundo a estudante Giovana Albuquerque, do 7º ano, o projeto contribuiu diretamente para seu desenvolvimento pessoal e acadêmico. “O jornal é uma ótima oportunidade na minha vida. Ele me faz desenvolver muitas coisas em mim, como o pensamento crítico, a melhora na escrita, na leitura e na minha vida”, afirma.
As pautas são definidas em encontros semanais, nos quais os próprios alunos sugerem temas e discutem os assuntos que irão compor a próxima edição.
Objetivo vai além da produção de textos
A proposta do projeto não se limita ao incentivo à escrita. A escola também utiliza o jornal como ferramenta de educação midiática e formação cidadã.
Segundo a diretora Carolina Paschoal, a iniciativa busca ensinar os estudantes a pesquisar, verificar informações e compreender a responsabilidade envolvida na comunicação pública.
“Acreditamos que colocar o aluno como protagonista do próprio aprendizado é uma forma muito eficaz de desenvolver autonomia e senso crítico. No jornal, eles aprendem a pesquisar, checar informações e compreender a responsabilidade de comunicar algo ao público”, explica.
Além do ambiente escolar, o conteúdo produzido pelos alunos também circula entre famílias e moradores da comunidade local.
Publicação fortalece autonomia e confiança
De acordo com a escola, um dos momentos mais marcantes para os estudantes é acompanhar a publicação das próprias matérias.
A prática contínua da escrita e da produção jornalística também ajuda no desenvolvimento da comunicação, da autoconfiança e da capacidade de argumentação dos participantes.
Para a professora Gabriela Babadobulos, coordenadora do projeto, iniciativas como essa ajudam a preparar os jovens para lidar com os desafios atuais relacionados à informação e à convivência digital.
“Combinando educação, prática e propósito, o projeto reforça o papel da escola na formação de alunos mais críticos, engajados e preparados para lidar com os desafios do mundo atual”, destaca.
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