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Saúde • 06:50h • 24 de agosto de 2026

Espreguiçar ou alongar? Entenda o que é melhor fazer com o corpo ao acordar

Movimentos leves ajudam o corpo a sair do período de inatividade, mas forçar músculos e articulações logo pela manhã pode provocar dor e irritação

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Divulgação

Esticar o corpo ao sair da cama nem sempre faz bem; veja os cuidados pela manhã
Esticar o corpo ao sair da cama nem sempre faz bem; veja os cuidados pela manhã

Esticar braços, pernas e costas costuma ser um dos primeiros movimentos depois de uma noite de sono. Espreguiçar-se ao acordar pode ajudar o corpo a retomar os movimentos, mas transformar esse momento em uma sequência de alongamentos intensos, trancos ou posições forçadas pode produzir o efeito contrário e provocar desconforto.

Isso acontece porque músculos e articulações passaram horas em relativa inatividade e podem apresentar uma rigidez temporária ao despertar. Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, o ideal é permitir que o corpo recupere gradualmente a amplitude e a coordenação dos movimentos, sem tentar vencer essa sensação inicial pela força.

“De manhã, o objetivo não deve ser alcançar a maior amplitude possível, mas devolver movimento ao corpo de forma gradual. A pessoa pode se espreguiçar, desde que não faça trancos, não force uma posição dolorosa e não tente corrigir a rigidez com intensidade”, explica.

Espreguiçar e alongar são coisas diferentes

O espreguiçamento normalmente é espontâneo, breve e confortável. Já o alongamento estático envolve permanecer durante determinado período em uma posição que provoca tensão muscular e pode integrar programas específicos para ganho ou manutenção de flexibilidade.

Por isso, acordar e movimentar suavemente braços, pernas, ombros e tronco não equivale a realizar uma sessão de alongamento. Também não existe uma regra de que alongar pela manhã seja capaz, sozinho, de prevenir dores durante o restante do dia.

A ocorrência de desconfortos depende de fatores como força e mobilidade, qualidade do sono, ergonomia, atividade física, histórico de lesões e sobrecargas da rotina. Quando a pessoa acorda com dor frequentemente, insistir em alongamentos pode apenas mascarar um problema que precisa ser investigado.

Como movimentar o corpo ao acordar

Em vez de buscar grandes amplitudes imediatamente, a orientação é começar com movimentos pequenos e progressivos. Movimentar tornozelos, punhos e ombros, flexionar e estender os joelhos sem forçar, realizar movimentos lentos com a cabeça e caminhar alguns minutos pela casa são algumas possibilidades.

A rotina não precisa se transformar em um treino. Alguns minutos podem ser suficientes para perceber como o corpo está respondendo naquele dia e adaptar os movimentos caso alguma região esteja mais rígida ou sensível.

Fisgadas, dor aguda ou pressão intensa são sinais diferentes da tensão normalmente percebida durante um movimento. “O corpo não precisa ser empurrado até o limite para ganhar mobilidade”, ressalta Mariana.

Dor, formigamento e perda de força exigem atenção

O cuidado deve ser maior entre pessoas com histórico de hérnia de disco, cervicalgia, lombalgia, tendinites, artrose, lesões musculares ou cirurgias recentes. Nesses casos, movimentos intensos sem orientação podem aumentar a irritação de estruturas já sensibilizadas.

Também não é recomendado tentar puxar o pescoço, forçar a região lombar ou provocar estalos na coluna para obter alívio. Dor persistente ou que piora, formigamento, dormência, perda de força, dor irradiada para braços ou pernas, travamentos frequentes, alterações de equilíbrio, inchaço e dor após quedas ou traumas são sinais que devem ser avaliados por um profissional.

A resposta do próprio corpo ajuda a determinar até onde ir. Movimentos realizados ao despertar devem permitir respiração normal e retorno confortável à posição inicial. Se o desconforto persiste por horas ou piora depois da atividade, a recomendação é interrompê-la e buscar avaliação.

“Alongar não deve ser uma prova de resistência. Quando existe uma condição clínica, o exercício precisa ser escolhido com base no diagnóstico e na resposta do corpo, não em uma sequência copiada da internet”, alerta a fisioterapeuta.

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