Saúde • 08:32h • 19 de junho de 2026
Estoques de sangue enfrentam queda durante o inverno e exigem atenção da população
Especialista reforça a importância da doação regular e explica quem pode contribuir para manter o atendimento nos hospitais
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Camejo Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Com a chegada do inverno, os hemocentros de todo o país voltam a enfrentar um desafio conhecido: a queda no número de doações de sangue. As temperaturas mais baixas, o aumento de casos de gripes e resfriados e até a menor disposição para sair de casa costumam reduzir o fluxo de doadores, justamente em um período em que a demanda hospitalar permanece constante.
A situação preocupa porque o sangue não pode ser produzido artificialmente e possui prazo de armazenamento limitado. Segundo a enfermeira e docente da área da Saúde do Senac Novo Hamburgo, Carol Engers Piumato, a reposição contínua dos estoques é essencial para garantir o atendimento de pacientes que dependem de transfusões diariamente. As hemácias podem ser armazenadas por até 42 dias, enquanto as plaquetas têm validade de apenas cinco dias, exigindo renovação constante dos bancos de sangue.
Muito além dos acidentes
Embora muitas pessoas associem a necessidade de transfusões apenas a acidentes graves, a realidade dos hospitais é bem mais ampla. O sangue doado é utilizado diariamente em tratamentos contra o câncer, procedimentos cirúrgicos complexos, transplantes, doenças hematológicas e em situações que envolvem complicações durante o parto.
Segundo a especialista, a falta de doadores por apenas alguns dias já pode comprometer o abastecimento dos hemocentros e dificultar o atendimento de pacientes que dependem de transfusões regulares. Por isso, a doação precisa acontecer de forma contínua ao longo do ano, e não apenas durante campanhas específicas.
Quem pode doar sangue
De forma geral, podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, menores de idade precisam de autorização dos responsáveis, com peso mínimo de 50 quilos, boas condições de saúde e pelo menos seis horas de sono na noite anterior à coleta.
Também é importante estar alimentado e apresentar documento oficial com foto. Algumas situações podem impedir temporariamente a doação, como a realização recente de tatuagens ou piercings, determinadas viagens, uso de medicamentos específicos ou recuperação de algumas doenças. Por isso, a recomendação é consultar previamente o hemocentro responsável para verificar os critérios atualizados.
Mitos ainda afastam possíveis doadores
Apesar da segurança do procedimento, muitos brasileiros ainda deixam de doar por receio ou desinformação. Entre os mitos mais comuns estão o medo de contrair doenças durante a coleta, a preocupação com fraqueza após a doação e a ideia de que alguns tipos sanguíneos são menos importantes.
A especialista explica que todo o material utilizado é descartável e estéril, eliminando qualquer risco de contaminação. A coleta costuma durar entre oito e dez minutos e, após o procedimento, o organismo repõe o volume de sangue em aproximadamente 24 horas. Além disso, todos os tipos sanguíneos são necessários para manter os estoques em níveis adequados.
Cada bolsa de sangue coletada pode ser fracionada em diferentes componentes e beneficiar até quatro pacientes. Por isso, profissionais da área da saúde reforçam que a doação continua sendo uma das formas mais simples e eficazes de salvar vidas, especialmente durante os meses mais frios do ano.
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