Saúde • 10:02h • 08 de maio de 2026
Estresse crônico pode ser vilão no acúmulo de gordura abdominal; entenda
Alterações hormonais, como o aumento do cortisol, influenciam o metabolismo e podem levar ao ganho de peso mesmo com alimentação equilibrada a partir de estresse
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
O estresse crônico, cada vez mais presente no cotidiano, não afeta apenas o emocional — ele também pode causar impactos significativos na saúde física. Quando o organismo permanece por longos períodos sob tensão, há uma liberação contínua de hormônios como o cortisol, que altera o metabolismo e a forma como o corpo armazena energia. Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, conhecido como “barriga de estresse”.
Segundo o doutor Rafael Appel Flores, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, o estresse pontual é uma resposta natural do corpo. Em situações específicas, como antes de um evento importante, o organismo libera cortisol e adrenalina para aumentar o foco e a energia. Após o episódio, tudo tende a voltar ao normal. O problema surge quando esse estado de alerta se torna constante.
Nesses casos, o corpo permanece em funcionamento acelerado: o coração trabalha mais, a pressão arterial sobe, o sistema imunológico se desgasta e o cérebro também sofre impactos, com prejuízos à memória, ao humor e aumento do risco de ansiedade e depressão. É como manter um motor ligado o tempo todo — em algum momento, ele começa a falhar.
O sedentarismo e o excesso de tempo diante de telas podem agravar ainda mais esse quadro. Por outro lado, a prática regular de atividade física, momentos de relaxamento, sono adequado e boas relações sociais ajudam a reduzir os efeitos do estresse. Pequenas mudanças no dia a dia já fazem diferença, sem necessidade de transformações radicais.
O acúmulo de gordura abdominal tem explicação biológica. A chamada gordura visceral é mais sensível ao cortisol porque possui maior quantidade de receptores para esse hormônio. Com isso, o corpo passa a concentrar gordura nessa região, que também libera substâncias inflamatórias, criando um ciclo que favorece ainda mais o ganho de peso.
Mesmo com alimentação equilibrada, o estresse pode contribuir para o aumento de peso, já que atua por mecanismos hormonais independentes da dieta. Além disso, níveis elevados de cortisol podem aumentar o apetite, especialmente por alimentos calóricos, e reduzir a disposição para exercícios, incentivando a chamada alimentação emocional.
Há ainda diferenças entre homens e mulheres. Em geral, os homens acumulam mais gordura visceral. Já as mulheres, antes da menopausa, tendem a concentrar gordura em áreas como quadris e coxas, consideradas menos prejudiciais. Após o climatério, com a queda do estrogênio, esse padrão muda, aumentando o acúmulo de gordura abdominal e os riscos metabólicos.
Diante disso, controlar o estresse é essencial para a saúde. Mais do que um cuidado opcional, trata-se de uma necessidade com impacto direto na prevenção de doenças como obesidade e diabetes.
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