Educação • 08:24h • 10 de março de 2026
Estudantes de SP criam site de denúncia de violência doméstica disfarçado de delivery
Protótipo foi desenvolvido por alunos em plataforma de programação disponível gratuitamente para o Ensino Fundamental e Ensino Médio
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Governo de SP
Alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Professor Nestor Gomes de Araújo, na cidade de Dumont, na região de Sertãozinho, desenvolveram o protótipo de um site de denúncias de violência doméstica que simula um portal de delivery de comida. A proposta foi criada por cinco estudantes da 2ª e 3ª séries durante as aulas de tecnologia e inovação.
O projeto foi desenvolvido na plataforma Alura, disponibilizada gratuitamente para alunos da rede estadual de ensino. Por enquanto, o site funciona apenas como um protótipo em formato de simulação. Para entrar efetivamente em operação, a proposta ainda precisaria ser integrada ao sistema da Polícia Militar, pelo telefone 190, ou à Central de Atendimento à Mulher, no 180.
Segundo os estudantes, a ideia é criar um canal discreto para que vítimas de violência doméstica consigam pedir ajuda sem levantar suspeitas. “Esse é um projeto de fachada que simula um site de delivery. No entanto, seu propósito real é oferecer um canal de denúncia discreto e seguro para mulheres em situação de violência doméstica. A vítima poderia acionar a polícia como se estivesse pedindo comida, de forma anônima”, explica a estudante Sara Cristina da Silva, da 2ª série A.
O grupo responsável pelo projeto também é formado pelos alunos Luana da Rocha, Giovana Boaventura, Lívia da Costa e Carlos Gonçalves. Eles destacam que o site foi pensado para ter uma interface simples e discreta, permitindo que a denúncia seja feita rapidamente, mesmo em situações de estresse.
A ideia surgiu após discussões sobre violência contra a mulher em sala de aula. “O que motivou a gente foi a relevância do tema. Com muitos casos de homicídio ocorrendo, pensamos que, como mulheres, podíamos fazer a nossa parte”, afirma Giovana. Luana complementa que o projeto também leva em conta situações em que o agressor impede a vítima de manter contato social. “Por isso pensamos em um portal disfarçado de delivery”, diz.
Os estudantes também decidiram manter o código do site aberto, permitindo que outras pessoas contribuam para aprimorar ou replicar a iniciativa.
Plataforma de aprendizado
A plataforma Alura faz parte das aulas de tecnologia e inovação oferecidas nas escolas da rede estadual. A ferramenta é utilizada por alunos dos anos finais do Ensino Fundamental e também nos itinerários formativos da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio.
O ambiente digital permite que os estudantes desenvolvam habilidades de pensamento computacional por meio de cursos que vão da lógica de programação até linguagens como JavaScript e Python. Com isso, os alunos podem criar projetos próprios, como jogos, sites e aplicativos.
Ao concluir as trilhas de aprendizado, os estudantes recebem certificações reconhecidas pelo setor de tecnologia, que podem contribuir para a entrada no mercado de trabalho. Atualmente, mais de 1 milhão de alunos da rede estadual têm acesso à plataforma.
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