Saúde • 11:07h • 15 de maio de 2026
Estudo aponta ação do sistema imunológico em doenças neurodegenerativas
Pesquisa da USP identificou uma rede de autoanticorpos associada a doenças como Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, indicando que os danos podem ocorrer de forma sistêmica e não apenas no cérebro
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisadores da Universidade de São Paulo identificaram uma nova dinâmica envolvendo o sistema imunológico em doenças neurodegenerativas como Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson e Esclerose múltipla. O estudo analisou quase 600 amostras de sangue de pacientes e revelou que os processos de neurodegeneração podem envolver ataques sistêmicos do próprio organismo às conexões neurais.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Faculdade de Medicina da USP e publicada na revista científica iScience. O trabalho analisou mais de 9 mil autoanticorpos — proteínas produzidas pelo sistema imunológico que, por engano, atacam tecidos saudáveis do corpo.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que os danos não se concentram apenas em regiões específicas do cérebro, como se acreditava anteriormente. Em vez disso, os autoanticorpos parecem agir de forma ampla, atingindo diversas conexões neurais ao mesmo tempo.
A primeira autora do estudo, Júlia Nakanishi Usuda, explica que a investigação mostrou um comportamento sistêmico do sistema imune nas doenças neurodegenerativas.
“Em vez de um anticorpo atacar apenas uma área específica da sinapse, observamos um ataque coordenado a várias regiões das conexões neurais”, afirma.
O coordenador da pesquisa, Otávio Cabral-Marques, compara o processo a uma casa com várias portas e janelas sendo atacada simultaneamente.
“É como gastar todos os esforços protegendo apenas uma porta enquanto o sistema imune desregulado ataca todas as outras ao mesmo tempo”, explica o pesquisador.
Relação entre imunidade e cérebro
As doenças neurodegenerativas costumam ser associadas ao acúmulo de proteínas anormais ou à degeneração localizada de neurônios. O estudo, porém, reforça que o sistema imunológico também pode ter papel central na progressão dessas enfermidades.
No caso do Alzheimer, a doença é marcada pelo acúmulo da proteína beta-amiloide e pela perda gradual da memória e do raciocínio. Já o Parkinson está relacionado à degeneração de neurônios ligados ao controle dos movimentos e à presença da proteína alfa-sinucleína.
A esclerose múltipla, por sua vez, é caracterizada por um processo autoimune que afeta a bainha de mielina, estrutura responsável por proteger os neurônios.
Apesar das diferenças entre elas, os pesquisadores afirmam que todas compartilham um componente de desregulação neuroimune e inflamação.
Novas possibilidades de tratamento
Com os resultados, os cientistas sugerem que futuras estratégias terapêuticas possam deixar de focar apenas em alvos isolados e passem a considerar formas de controlar a resposta autoimune de maneira mais ampla.
Os pesquisadores destacam, no entanto, que o estudo ainda precisa ser validado em testes laboratoriais e experimentos clínicos.
Além de ampliar a compreensão sobre o funcionamento dessas doenças, o trabalho também identificou assinaturas específicas de autoanticorpos que podem ajudar no monitoramento da progressão dos quadros neurológicos e no desenvolvimento de novos tratamentos.
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