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Responsabilidade Social • 18:31h • 08 de janeiro de 2026

Estudo aponta cerca de 300 mil idosos com TEA no Brasil e alerta para diagnóstico tardio

Pesquisa da PUCPR revela baixa identificação do transtorno em pessoas com 60 anos ou mais e destaca impactos na saúde e na formulação de políticas públicas

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da PG1 | Foto: Arquivo/Âncora1

TEA em idosos desafia sistema de saúde e expõe lacuna em políticas públicas
TEA em idosos desafia sistema de saúde e expõe lacuna em políticas públicas

Um estudo desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná indica que aproximadamente 300 mil pessoas com 60 anos ou mais vivem com algum grau de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil. A pesquisa chama atenção para os desafios do diagnóstico tardio e para a carência de políticas públicas voltadas especificamente à população idosa no espectro.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo têm TEA. No Brasil, o Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, incluiu pela primeira vez dados sobre o transtorno. A partir dessas informações, o estudo identificou uma prevalência autodeclarada de 0,86% de TEA entre pessoas com 60 anos ou mais, o que corresponde a cerca de 306.836 idosos. A taxa é ligeiramente maior entre homens, com 0,94%, do que entre mulheres, com 0,81%.

Embora o TEA seja geralmente identificado na infância, trata-se de uma condição permanente. No entanto, o reconhecimento em adultos mais velhos ainda é limitado, tanto no diagnóstico quanto no acesso a acompanhamento especializado. Para a pesquisadora Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, os dados evidenciam uma lacuna histórica no cuidado com esse público. Segundo ela, apesar do aumento da prevalência do TEA, ainda há escassez de estudos nacionais e internacionais sobre o transtorno no contexto do envelhecimento.

A pesquisa aponta que pessoas idosas no espectro tendem a apresentar maior incidência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, além de risco aumentado de declínio cognitivo e de doenças clínicas, incluindo problemas cardiovasculares e disfunções metabólicas. Dificuldades de comunicação, sobrecarga sensorial e padrões rígidos de comportamento também podem dificultar o acesso aos serviços de saúde.

O diagnóstico tardio é considerado um dos principais desafios. Mudanças nos critérios diagnósticos ao longo das décadas e a falta de profissionais capacitados contribuem para que sinais do TEA em idosos sejam confundidos com sintomas de depressão, ansiedade ou demência. A identificação adequada exige avaliação especializada e observação de comportamentos ao longo de toda a vida.

Apesar das dificuldades, o diagnóstico costuma ser percebido de forma positiva por muitos idosos. Segundo a pesquisadora, o reconhecimento do TEA pode trazer alívio ao oferecer explicações para dificuldades sociais e sensoriais enfrentadas ao longo da vida, favorecendo a autocompreensão e reduzindo sentimentos de inadequação. Para os autores do estudo, ampliar o conhecimento sobre o TEA na população idosa é um passo essencial para orientar políticas públicas de saúde mais inclusivas e adequadas a essa realidade.

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