Saúde • 11:11h • 31 de março de 2026
Estudo aponta que 50% dos pacientes com síndrome respiratória grave têm lesão renal aguda
Pesquisa mapeia o “diálogo” entre pulmão e rim, que aumenta drasticamente o risco de morte na UTI
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital das Clínicas da FMUSP trouxe novos dados sobre a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), uma das principais causas de internação em UTIs. A pesquisa mostrou que quase metade dos pacientes (49,9%) desenvolve também lesão aguda nos rins, uma condição em que os rins param de funcionar corretamente e deixam de filtrar o sangue, o que pode levar à falência renal e aumentar o risco de morte.
Publicado na revista Journal of Critical Care, o estudo indica que pulmões e rins estão diretamente ligados em situações graves. Quando há inflamação intensa nos pulmões e uso de ventilação mecânica, os rins podem ser afetados rapidamente, criando um quadro mais delicado que exige acompanhamento constante na UTI.
Os pesquisadores explicam que existe uma espécie de “efeito dominó” entre pulmão e rim. Quando um órgão é afetado, o outro também pode sofrer. Esse processo, chamado de “crosstalk”, pode aumentar em até 11 vezes o risco de lesão renal em pacientes que estão com ventilação mecânica.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas analisaram quase 3 mil estudos internacionais e selecionaram 28 para avaliação mais detalhada. Um dos pontos que mais chamou atenção foi a rapidez com que o problema aparece: em média, a lesão nos rins surge cerca de dois dias após o diagnóstico da síndrome respiratória.
A situação foi ainda mais grave em casos de Covid-19. Entre esses pacientes, mais da metade (52,6%) teve falência renal. A pesquisa faz parte de um projeto que investiga os efeitos da doença a longo prazo, e aponta que o problema nos rins foi uma das complicações mais comuns e perigosas.
Apesar da frequência, ainda há poucas informações sobre o que acontece com esses pacientes depois da alta. Poucos estudos analisaram a recuperação dos rins, e não há dados suficientes sobre o risco de desenvolver doenças renais crônicas no futuro.
Os pesquisadores destacam a importância de novos estudos para entender melhor essa relação entre pulmões e rins e melhorar o tratamento dos pacientes mais graves.
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