Responsabilidade Social • 11:47h • 17 de junho de 2026
Estudo aponta que mexilhões podem levar microplásticos à alimentação humana
Pesquisa da Unirio revela que mexilhões não conseguem diferenciar alimento de partículas plásticas presentes no mar, o que pode aumentar a exposição humana a contaminantes
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Os mexilhões, amplamente consumidos na gastronomia brasileira, podem representar uma importante via de entrada de microplásticos na alimentação humana. A conclusão é de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), publicado nesta segunda-feira (15) na revista científica Ocean and Coastal Research.
A pesquisa mostrou que esses moluscos filtradores não conseguem distinguir as microalgas, que compõem sua alimentação natural, das partículas microscópicas de plástico presentes na água. Como resultado, acabam ingerindo ambos os materiais de forma indiscriminada.
Para realizar o estudo, os cientistas coletaram exemplares de mexilhão marrom (Perna perna) na Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro. Em laboratório, os animais foram submetidos a diferentes condições experimentais, recebendo água com microalgas, apenas microplásticos ou uma combinação dos dois elementos.
Após uma hora de observação, os pesquisadores verificaram que os mexilhões consumiram as partículas sem demonstrar qualquer capacidade de seleção. No grupo exposto à mistura, permaneceram na água cerca de 48% das microalgas e 52% dos microplásticos, resultado que reforça a incapacidade dos animais de diferenciar alimento de poluentes.
Segundo a bióloga marinha Raquel de Almeida Ferrando Neves, uma das autoras do estudo, os testes comprovaram que a espécie não possui mecanismos para reconhecer a diferença entre partículas naturais e fragmentos plásticos presentes no ambiente marinho.
Microplásticos preocupam pesquisadores
Os microplásticos são fragmentos microscópicos gerados pela degradação de materiais plásticos maiores, como embalagens, garrafas, tecidos sintéticos, pneus e tintas. Com o tempo, essas partículas se espalham pelos oceanos, rios, solos e até pelo ar, tornando-se um dos principais desafios ambientais da atualidade.
De acordo com os pesquisadores, a preocupação não está apenas na ingestão das partículas pelos organismos marinhos. Os microplásticos também podem funcionar como veículos para substâncias químicas e contaminantes presentes no ambiente, acumulando compostos potencialmente nocivos.
Como os mexilhões se alimentam filtrando grandes volumes de água, acabam concentrando esses materiais em seus organismos. Isso pode representar um risco adicional para a saúde humana, especialmente entre pessoas que consomem esses moluscos com frequência.
Os cientistas destacam ainda que o cozimento não elimina esse tipo de contaminação. Diferentemente de microrganismos causadores de doenças, partículas plásticas, metais pesados e outros contaminantes químicos permanecem presentes nos alimentos mesmo após o preparo culinário.
Embora o estudo tenha sido realizado com exemplares coletados no litoral fluminense, os pesquisadores avaliam que o comportamento observado provavelmente se repete em outras regiões do país, já que os padrões de alimentação e filtragem da espécie são semelhantes ao longo da costa brasileira.
Diante desse cenário, a equipe defende a adoção de medidas para reduzir a poluição plástica nos oceanos, incluindo ações voltadas à diminuição do uso de plásticos descartáveis, ao fortalecimento da gestão de resíduos e ao monitoramento contínuo de áreas de maricultura. Segundo os autores, essas iniciativas são fundamentais para proteger os ecossistemas marinhos e garantir maior segurança para os consumidores de frutos do mar.
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