Ciência e Tecnologia • 07:32h • 26 de fevereiro de 2026
Estudo aponta que soro contra cascavel pode falhar dependendo da região do Brasil
Pesquisa da Unoeste identifica diferenças no potencial neurotóxico entre subespécies e indica droga alternativa como promissora
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Unoeste | Foto: Arquivo/Âncora1
Um estudo desenvolvido na Unoeste, em Presidente Prudente, revelou que a eficácia do tratamento contra picadas de cascavel pode variar conforme a região do país e a subespécie envolvida no acidente. A pesquisa mostra que o soro anti-Crotalus disponível comercialmente, produzido a partir do veneno da subespécie Crotalus durissus terrificus, pode não neutralizar de forma adequada o veneno de outras subespécies distribuídas pelo território nacional.
O trabalho analisou a influência da variabilidade geográfica sobre o perfil neurotóxico dos venenos de cinco subespécies além da C. d. terrificus, sendo elas C. d. durissus, C. d. marajoensis, C. d. ruruima, C. d. colillineatus e C. d. cascavella.
De acordo com os resultados, o isolamento geográfico dessas subespécies influencia a composição do veneno, podendo potencializar ou reduzir seu efeito neurotóxico. Essa diferença impacta diretamente a eficiência da soroterapia aplicada atualmente.
Os envenenamentos por cascavéis, do gênero Crotalus, representam cerca de 12% dos acidentes ofídicos registrados no Brasil por ano, ficando atrás apenas dos acidentes causados por jararacas, do gênero Bothrops. Apesar disso, os acidentes com cascavéis são considerados os mais letais entre os animais peçonhentos no país, principalmente devido ao risco de paralisia neuromuscular, insuficiência respiratória e morte.
A pesquisa apontou que o veneno da subespécie C. d. cascavella, encontrada na região Nordeste, apresentou maior potência neurotóxica. Também indicou que o soro comercial pode ser ineficaz em neutralizar o efeito neuromuscular em acidentes causados por C. d. colillineatus, do Centro-Oeste, e C. d. ruruima, da região Norte.
Como alternativa, o estudo avaliou a droga varespladib, um anti-inflamatório investigado em estudos com venenos animais. O medicamento apresentou melhor desempenho que o antiveneno comercial nos casos envolvendo C. d. colillineatus, C. d. terrificus e C. d. cascavella. No entanto, não foi eficaz na proteção contra o efeito neuromuscular do veneno da C. d. ruruima.
Segundo o orientador da pesquisa, professor Dr. Rafael Stuani Floriano, como os venenos são majoritariamente compostos por fosfolipases A2, a varespladib pode se apresentar como ferramenta terapêutica promissora para a prática clínica em casos de envenenamento por cascavéis.
A pesquisa foi desenvolvida pela biomédica Poliana de Jesus Demico no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal da Unoeste, que oferece mestrado, doutorado e pós-doutorado. A dissertação foi aprovada em defesa pública por banca composta por avaliadores internos e externos, consolidando a contribuição científica do estudo para a área de saúde pública.
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