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Responsabilidade Social • 10:04h • 07 de março de 2026

Estudo brasileiro alerta para degelo acelerado nas calotas polares

Cidades costeiras precisam se preparar para mudanças climáticas

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Ronaldo Christofoletti/Divulgação

Derretimento das geleiras e calotas polares vai afetar sobretudo cidades costeiras, revela estudo.
Derretimento das geleiras e calotas polares vai afetar sobretudo cidades costeiras, revela estudo.

O estudo Planeta em Degelo, baseado em dados inéditos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), revela que o planeta perdeu 9.179 gigatoneladas (Gt) de gelo desde 1976. Cada gigatonelada equivale a um trilhão de quilos.

Desse total, 98% chegaram aos oceanos em forma líquida a partir de 1990, e 41% somente entre 2015 e 2024 — o que mostra uma clara aceleração do processo.

Em volume, a perda acumulada equivale a cerca de 9 mil quilômetros cúbicos de água, quantidade semelhante à despejada pelo Rio Amazonas no Atlântico durante 470 dias.

Antártica e Groenlândia concentram as maiores perdas

A maior parte do gelo derretido vem da Antártica e da Groenlândia, que perderam cerca de 8 mil gigatoneladas desde 2002. Em pouco mais de 20 anos, as calotas polares perderam quase o mesmo volume que todas as geleiras do mundo perderam ao longo de quase cinco décadas.

Segundo o biólogo Ronaldo Christofoletti, da Unifesp e integrante do projeto ComAntar, o degelo é um dos “sintomas” do aquecimento global, assim como ondas de calor, chuvas extremas e queimadas mais frequentes.

Impactos: nível do mar e mudanças no clima

O principal efeito direto é o aumento do nível do mar. À medida que as geleiras se transformam em água, os oceanos avançam sobre áreas continentais, ameaçando especialmente cidades costeiras.

Outro impacto importante é a mudança na salinidade do mar. A água doce do degelo dilui o sal dos oceanos, enfraquecendo correntes marítimas que ajudam a regular o clima global. Alterações na circulação oceânica da Antártica podem afetar o Atlântico Sul e influenciar frentes frias, padrões de chuva e eventos extremos no Brasil.

Dados apresentados durante a COP30 indicam que a frequência de desastres ligados a frentes frias e ciclones na costa brasileira aumentou 19 vezes nos últimos 30 anos.

Anos mais quentes intensificam o problema

O estudo relaciona o avanço do degelo aos recordes recentes de temperatura. Os anos de 2023, 2024 e 2025 estão entre os mais quentes já registrados, reforçando a tendência de aquecimento global.

Diante desse cenário, especialistas defendem duas frentes de ação: reduzir as emissões de gases de efeito estufa, acelerando a transição energética, e adaptar as cidades costeiras para enfrentar a elevação do mar e a erosão.


Derretimento das geleiras e calotas polares vai afetar sobretudo cidades costeiras, revela estudo. Foto: Aline Martinez/Divulgação

Educação e conscientização

Para os pesquisadores, a educação ambiental é peça-chave. A proposta do chamado “Currículo Azul”, que busca ampliar o ensino sobre oceanos nas escolas, é vista como um caminho para aumentar a compreensão da população sobre a relação entre clima, oceanos e qualidade de vida.

O Planeta em Degelo foi elaborado com base em dados do World Glacier Monitoring Service e do Projeto Carbmet, ligado ao Proantar — programa coordenado pela Marinha do Brasil, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e pelo Ministério das Relações Exteriores, que atua há 44 anos na Antártica.

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