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Saúde • 11:31h • 13 de junho de 2026

Estudo da USP alerta para danos irreversíveis causados por química e calor excessivo nos cabelos

Pesquisa identificou que a combinação de descoloração, alisamento químico e uso frequente de chapinhas e secadores pode comprometer profundamente a estrutura dos fios, aumentando o risco de ressecamento, quebra e perda de resistência

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Os fios podem sofrer danos irreversíveis em sua estrutura, comprometendo importantes substâncias que compõem a camada interna e externa do cabelo.
Os fios podem sofrer danos irreversíveis em sua estrutura, comprometendo importantes substâncias que compõem a camada interna e externa do cabelo.

Pesquisadores do Instituto de Física da USP identificaram que a combinação de procedimentos químicos, como descoloração e alisamentos ácidos, associada ao uso frequente de chapinhas e secadores em altas temperaturas, pode causar danos severos e irreversíveis aos cabelos. O estudo mostra que os fios perdem resistência, brilho e hidratação, tornando-se mais frágeis, porosos e propensos à quebra.

A pesquisa analisou fios naturais e quimicamente tratados submetidos a temperaturas entre 30°C e 270°C, faixa frequentemente alcançada em procedimentos estéticos. Com o auxílio de microscopia eletrônica, espectroscopia e espalhamento de raios X, os cientistas conseguiram observar em tempo real as alterações provocadas pelo calor na estrutura interna dos cabelos.

Segundo a pesquisadora Cibele de Castro Lima, responsável pelo estudo durante seu doutorado na USP, os danos mais intensos foram observados nos fios que passaram simultaneamente por descoloração, alisamento ácido e exposição a altas temperaturas.

Os resultados revelaram que o córtex, camada interna responsável pela resistência dos fios, é mais sensível ao calor do que a cutícula, camada externa de proteção. A descoberta contraria a ideia de que os danos térmicos afetam primeiro apenas a superfície do cabelo.

As análises mostraram que alterações profundas começam a surgir no interior da fibra capilar antes mesmo de aparecerem sinais visíveis na parte externa. Além disso, foram identificados danos às proteínas e aos lipídios naturais que ajudam a manter a hidratação e a integridade dos fios.

O estudo também constatou que até cabelos sem qualquer química podem sofrer prejuízos quando expostos a temperaturas elevadas. A partir de 220°C, os pesquisadores observaram o início da degradação da queratina, proteína responsável pela força e resistência dos fios.

Entre 220°C e 250°C, ocorreram processos de desnaturação e ruptura das estruturas internas do córtex. Imagens obtidas por microscopia eletrônica confirmaram sinais claros de deterioração nessa faixa de temperatura.

Os lipídios presentes na fibra capilar, fundamentais para a hidratação e organização dos fios, também apresentaram perda de estabilidade durante o aquecimento. Acima de 260°C, essas estruturas praticamente desapareceram, indicando danos permanentes.

Outro fenômeno identificado foi a liberação de gases resultantes da decomposição da queratina. Segundo os pesquisadores, o odor forte frequentemente percebido durante o uso da chapinha está relacionado à quebra de aminoácidos que contêm enxofre, como a cistina, substância essencial para a resistência capilar.

Nos cabelos submetidos à descoloração e ao alisamento químico, os efeitos foram ainda mais intensos. As análises mostraram perda acelerada da organização interna da fibra, redução da estabilidade térmica e desestruturação das proteínas e gorduras que garantem a proteção dos fios.

Os cientistas observaram ainda que estruturas responsáveis pela hidratação dos cabelos tratados começaram a apresentar instabilidade em temperaturas superiores a 70°C. Em níveis mais elevados de calor, essas estruturas desapareceram completamente. Embora algumas camadas da cutícula tenham demonstrado maior resistência térmica, em muitos casos o córtex já havia sido severamente comprometido.

Para o professor Cristiano Oliveira, orientador da pesquisa, os resultados contribuem para ampliar o conhecimento sobre os efeitos dos tratamentos químicos e do calor excessivo nos cabelos. O estudo poderá auxiliar no desenvolvimento de protetores térmicos mais eficientes, produtos menos agressivos para descoloração e alisamento, além de protocolos mais seguros para procedimentos realizados em salões de beleza.

Os pesquisadores reforçam que a moderação no uso de chapinhas, secadores e tratamentos químicos combinados é fundamental para preservar a saúde dos fios, já que os danos provocados pelo calor podem ocorrer até mesmo em cabelos naturais.

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