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Saúde • 15:46h • 29 de agosto de 2025

Estudo da USP aponta que quase 60% dos casos de demência no Brasil podem ser prevenidos

Baixa escolaridade, perda de visão não tratada e depressão estão entre os principais fatores de risco, segundo pesquisa publicada na revista The Lancet

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

Esses fatores são considerados modificáveis porque podem ser prevenidos ou controlados com políticas públicas, cuidados de saúde e iniciativas individuais. Diferem, portanto, de aspectos inevitáveis como envelhecimento e predisposição genética.
Esses fatores são considerados modificáveis porque podem ser prevenidos ou controlados com políticas públicas, cuidados de saúde e iniciativas individuais. Diferem, portanto, de aspectos inevitáveis como envelhecimento e predisposição genética.

Um estudo liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apontou que quase 60% dos casos de demência no Brasil estão ligados a fatores de risco que podem ser prevenidos ou reduzidos. Entre eles, três condições se destacam pelo maior impacto: baixa escolaridade no início da vida, perda visual não tratada e depressão.

Esses fatores, chamados modificáveis, podem ser enfrentados por meio de políticas públicas, cuidados de saúde e também de iniciativas individuais. Eles se diferenciam de aspectos inevitáveis, como o envelhecimento ou a predisposição genética, que também influenciam no surgimento da doença.

De acordo com estimativas do Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, entre 12,5% e 17,5% da população idosa no Brasil apresenta algum tipo de demência — um número que tende a crescer com o envelhecimento da população.

O estudo, publicado na revista científica The Lancet Regional Health Americas, utilizou dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, da UFMG e da Fiocruz, e mostrou que a soma dos 14 fatores de risco analisados pode estar associada a 59,5% dos casos de demência no país, percentual acima da média global, de 45%.

A baixa escolaridade na infância e adolescência foi responsável por 9,5% dos casos; a perda de visão não corrigida, por 9,2%; e a depressão na meia-idade, por 6,3%. Outros fatores de risco identificados foram isolamento social, poluição do ar, traumatismo craniano, hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, perda auditiva e colesterol alto.

Segundo os pesquisadores, o impacto da escolaridade está ligado ao desenvolvimento da reserva cognitiva: quanto mais estímulos o cérebro recebe na infância e juventude, mais conexões neuronais são criadas, o que ajuda a compensar possíveis danos no futuro. Já no caso da visão e da depressão, a perda de estímulos e o desequilíbrio de neurotransmissores também prejudicam a saúde cerebral.

O levantamento também revelou que os efeitos da baixa escolaridade e da perda visual são mais intensos em regiões mais pobres do Brasil e entre pessoas negras, refletindo desigualdades sociais e de acesso à saúde.

Para a professora de Geriatria da USP Cláudia Suemoto, autora do estudo, os resultados reforçam a importância de estratégias de prevenção desde cedo. “O envelhecimento é inevitável e o principal fator de risco para a demência, mas não pode ser modificado. Por isso, investir em educação, saúde mental e cuidados com doenças crônicas é essencial para reduzir o impacto da doença no futuro”, destacou.

A especialista defende que gestores de saúde planejem políticas voltadas ao diagnóstico precoce, ao tratamento de condições como hipertensão e diabetes, além de ações que garantam acesso à educação e aos serviços de saúde ocular e auditiva. “A prevenção começa cedo e precisa ser pensada em diferentes etapas da vida”, concluiu.

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