Responsabilidade Social • 11:23h • 02 de maio de 2026
Estudo de longo prazo na Amazônia descarta teoria de savanização
Incêndios empobrecem o solo, mas floresta é capaz de se recuperar
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo conduzido no município de Querência, em Mato Grosso, uma das áreas da Amazônia mais impactadas pelo desmatamento nas últimas décadas, analisou os efeitos das secas e das queimadas em regiões sob forte pressão da atividade agrícola.
Após 22 anos de pesquisa, os resultados contrariam a chamada tese da savanização, defendida desde os anos 1990, que previa a substituição da floresta por vegetação típica de savana, como gramíneas e arbustos. Em vez disso, os cientistas observaram que áreas degradadas pelo fogo e pela seca voltaram a ser ocupadas por espécies florestais.
Segundo o pesquisador Leandro Maracahipes, da Universidade de Yale, apoiado pelo Instituto Serrapilheira, a floresta demonstrou alta capacidade de regeneração. No entanto, essa recuperação depende de condições específicas, como a interrupção dos incêndios e a preservação de áreas de vegetação nativa próximas, que funcionam como fonte de sementes e abrigam animais responsáveis pela dispersão.
A pesquisa teve início em 2004, em uma área de 150 hectares, inicialmente mapeada para identificar a fauna e a flora originais. O território foi dividido em três partes de 50 hectares: duas sofreram queimadas — uma a cada três anos e outra anualmente até 2010 — enquanto a terceira permaneceu intacta.
Logo após os incêndios, foi registrado um empobrecimento significativo da biodiversidade. A perda de espécies chegou a 20,3% nas áreas queimadas todos os anos e a 46,2% nas queimadas periódicas. Em 2012, uma tempestade ainda agravou os danos, provocando a morte de cerca de 5% das árvores.
Com o passar do tempo, no entanto, a vegetação começou a se recuperar. O fechamento do dossel reduziu a presença de gramíneas, especialmente nas bordas, e o ambiente voltou a apresentar características mais próximas de uma floresta. Ainda assim, a recomposição não foi completa: a diversidade de espécies permanece entre 31,3% e 50,8% menor do que a original.
Os pesquisadores destacam que a floresta regenerada apresenta maior vulnerabilidade. As novas espécies tendem a ter madeira menos densa e casca mais fina, o que as torna mais suscetíveis a novos distúrbios, como incêndios e eventos climáticos extremos.
Além disso, as mudanças climáticas, com secas mais intensas, aumentam a pressão sobre essas áreas em recuperação. Embora as espécies consigam manter o acesso à água durante o processo de regeneração, os cientistas alertam para a necessidade de ampliar a restauração de áreas degradadas.
Nesse contexto, a região antes conhecida como “Arco do Desmatamento” passa a ser vista também como “Arco da Restauração”, destacando o potencial de recuperação da floresta, desde que haja condições adequadas de conservação e manejo.
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