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Saúde • 12:22h • 14 de fevereiro de 2026

Estudo de universidade brasileira aponta que cera de ouvido pode auxiliar na detecção de câncer

Um estudo da Universidade Federal de Goiás mostra que exames feitos com cera de ouvido podem ajudar a detectar câncer antes do aparecimento do tumor

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do CFF | Foto: Arquivo Âncora1

A cera que se acumula no ouvido tem valor científico incalculável para os pesquisadores da Universidade Federal de Goiás.
A cera que se acumula no ouvido tem valor científico incalculável para os pesquisadores da Universidade Federal de Goiás.

Uma pesquisa de cientistas brasileiros com a cera do ouvido está trazendo resultados promissores para antecipar o diagnóstico do câncer.

A cera que se acumula no ouvido tem valor científico incalculável para os pesquisadores da Universidade Federal de Goiás.

"Ela é uma pepita de ouro que tá trazendo informações do corpo humano pra nós. E ela tá num lugar relativamente protegido de influências externas, de contaminações externas e é de fácil coleta", afirma Camilla Oliveira, médica otorrinolaringologista.

A cera coletada é analisada no laboratório. O resultado identifica se há alterações de saúde.

"Se nosso organismo está bem, a composição química da cera do ouvido é uma. Se ele tá com alguma alteração que possa implicar numa doença, essa composição se altera. Então a cera de ouvido pra nós hoje é como se fosse uma impressão digital da nossa condição de saúde", diz Nelson Antoniosi Filho, professor da UFG e coordenador da pesquisa.

Essa pesquisa usando a cera do ouvido começou há dez anos e, desde então, as descobertas têm sido promissoras. Primeiro, os cientistas detectaram diabetes e câncer. Agora, o estudo revelou uma nova informação que deixou os pesquisadores ainda mais entusiasmados.

"Ele permite diagnosticar etapas anteriores ao câncer. Então isso, com certeza, vai facilitar muito o processo de tratamento e vai diminuir o sofrimento de pacientes", anima-se Nelson.

A pesquisa da UFG é desenvolvida em parceria com o Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, interior de São Paulo, especializado no tratamento do câncer.

O trabalho coletou amostras de 751 voluntários, 220 não tinham nenhum diagnóstico anterior. Em cinco deles, o teste identificou substâncias atípicas, que poderiam ser indícios de câncer. Exames convencionais, feitos depois, diagnosticaram a doença. Outros 531 voluntários já estavam em tratamento oncológico. A análise da cera do ouvido indicou a doença em todos.

O José Luiz teve câncer de próstata em 2012, e se curou. Em 2019 se voluntariou a fazer o teste com a cera de ouvido, que apontou células cancerígenas. Um exame de imagem confirmou que era outro câncer, agora na região pélvica.

"Pra minha surpresa, o meu deu positivo. Aí foi um impacto", conta José Luiz Spigolon, voluntário da pesquisa.

Ele precisou fazer 36 sessões de radioterapia. Novos testes com a cera apontaram a remissão do câncer. Agora, outros exames mostram que ele está curado.

"Quanto antes a descoberta, quanto mais cedo é diagnosticada a presença do câncer no organismo, maior é a possibilidade de cura total", completa José Luiz.

O resultado da pesquisa foi publicado numa das mais importantes revistas do mundo, a Scientific Reports.

Essa médica oncologista, que trabalha no hospital de Jaú, diz que a técnica — que ainda depende de regulamentação — traz avanços. E pode tornar o diagnóstico rápido mais acessível.

"Se tudo correr como a gente imagina, num futuro próximo, tendo as aprovações necessárias, ele é um teste que é de fácil coleta. E o custo a gente estima que vai ser baixo, então realmente com impacto social importantíssimo", afirma Patrícia Milhomen, médica oncológica do Hospital Amaral Carvalho.

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