Ciência e Tecnologia • 15:36h • 27 de junho de 2026
Estudo do Tecpar e UFPR demonstra potencial farmacêutico da própolis azul
Pesquisa demonstra, pela primeira, que as própolis verde e vermelha, produzida por abelhas com ferrão da espécie Apis melífera, têm uma composição química e ação farmacológica semelhante à própolis azul, produzida por abelhas sem ferrão
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Agência de notícias do Paraná | Foto: Hedeson Alves/TECPAR
Um estudo realizado em parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) analisou a própolis azul e identificou semelhanças em sua composição química quando comparada às própolis verde e vermelha, amplamente utilizadas pela indústria farmacêutica. Os resultados indicam potencial para novas aplicações do produto no estado.
A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Vitor Luis Fagundes, do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da UFPR, e é considerada inédita ao comparar, de forma detalhada, a composição e a atividade farmacológica da própolis azul — produzida por abelhas sem ferrão — com as própolis verde e vermelha, originadas da espécie Apis mellifera.
Além de ser produzida por abelhas sem ferrão, de manejo mais simples, a própolis azul se destaca pelo alto valor agregado, o que pode representar maior retorno econômico para a cadeia produtiva.
Segundo o pesquisador do Tecpar Renato Rau, o estudo reforça o potencial de mercado do produto e aponta possíveis aplicações terapêuticas. Ele destaca que a própolis azul apresenta atividades associadas a efeitos antimicrobianos, anti-inflamatórios, antiparasitários, antivirais e antitumorais, além de possível ação de fortalecimento do sistema imunológico.
A próxima etapa da pesquisa prevê a identificação de uma molécula característica da própolis azul, que funcionaria como uma “assinatura química” do produto, a exemplo do Artepillin C na própolis verde. A partir disso, os pesquisadores pretendem avançar para testes farmacológicos e estudos voltados ao desenvolvimento de medicamentos.
O pesquisador Vitor Luis Fagundes afirma que a própolis azul apresentou atividade biológica relevante, com destaque para sua ação antibacteriana, que superou a observada em outras amostras analisadas. Ele também ressaltou a importância da parceria com o Tecpar no fornecimento de amostras e no desenvolvimento do estudo.
No campo produtivo, o Tecpar, em parceria com a prefeitura de Morretes, já capacitou mais de 50 agricultores e distribuiu mais de 100 caixas de abelhas para fortalecer a cadeia produtiva da própolis azul no litoral do Paraná.
De acordo com o diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, Celso Kloss, o projeto deve ser expandido para outros municípios litorâneos, com foco na inclusão de famílias rurais na criação de abelhas sem ferrão e no desenvolvimento de novos produtos derivados do mel e da própolis, promovendo geração de renda e desenvolvimento regional.
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