Ciência e Tecnologia • 19:35h • 03 de julho de 2026
Estudo internacional muda diretrizes e amplia prevenção cardiovascular para pessoas que vivem com HIV
Resultados da pesquisa REPRIEVE passam a integrar recomendações da American Heart Association e reforçam a importância do tratamento individualizado
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Playpress Assessoria | Foto: Divulgação
Uma das mais importantes pesquisas internacionais sobre prevenção cardiovascular em pessoas que vivem com HIV passou a influenciar diretamente a prática médica. Os resultados do estudo REPRIEVE, que apontaram uma redução de 36% na incidência de eventos cardiovasculares com o uso diário da estatina pitavastatina, foram incorporados às diretrizes clínicas de 2026 da American Heart Association (AHA) e do American College of Cardiology (ACC).
A atualização motivou uma manifestação conjunta da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) e da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), que destacam a necessidade de ampliar a prevenção cardiovascular entre pessoas vivendo com HIV.
HIV passa a ser considerado fator importante na prevenção
O estudo avaliou pacientes em tratamento antirretroviral que não apresentavam indicação clássica para uso de estatinas por alto risco cardiovascular. Mesmo assim, os resultados mostraram benefício significativo na prevenção de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros eventos cardiovasculares.
Com base nessas evidências, as diretrizes internacionais passaram a recomendar que pessoas vivendo com HIV, entre 40 e 75 anos, sejam avaliadas para uso de estatinas na prevenção primária, independentemente dos níveis de LDL-colesterol, desde que a decisão seja tomada após avaliação médica individualizada.
Tratamento deve considerar o perfil de cada paciente
Segundo as entidades médicas, o HIV está associado a um risco aumentado de doenças cardiovasculares, influenciado por fatores como inflamação crônica, alterações metabólicas, hipertensão, diabetes, tabagismo, histórico familiar e possíveis interações entre medicamentos.
Por isso, a escolha da estatina, da dose e da estratégia de prevenção deve levar em conta as características clínicas de cada paciente, incluindo os antirretrovirais utilizados e o risco de efeitos adversos.
As sociedades também defendem que o rastreamento do HIV faça parte da avaliação cardiológica, permitindo identificar precocemente pacientes que possam se beneficiar de medidas preventivas específicas.
Prevenção vai além do uso de medicamentos
As entidades reforçam que o cuidado cardiovascular não depende apenas da prescrição de estatinas. Controle da pressão arterial, manejo adequado do colesterol e da glicemia, abandono do tabagismo, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, adesão ao tratamento antirretroviral e acompanhamento médico contínuo permanecem como pilares da prevenção.
Com o aumento da expectativa de vida proporcionado pelos avanços da terapia antirretroviral, a prevenção das doenças cardiovasculares tornou-se parte essencial do cuidado integral às pessoas que vivem com HIV.
Presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia
Dr. Dimas Alexandre Kliemann
Presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul
Dr. André Luís Câmara Galvão
Presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul
Dr. Gerson Junqueira Jr.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos