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Responsabilidade Social • 13:36h • 02 de novembro de 2025

Estudo mostra que elite global polui mais em um dia do que metade da população mais pobre

Relatório da Oxfam revela que os 0,1% mais ricos emitem, diariamente, até 400 vezes mais gases do efeito estufa do que a metade mais pobre do planeta, escancarando a desigualdade climática e econômica mundial.

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

O relatório mostra ainda que, se toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo dos mais ricos, o limite de emissões seria atingido em menos de três semanas. Para conter o aquecimento global, o estudo aponta que o grupo dos mais ricos precisaria reduzir em 99% suas emissões individuais até 2030.
O relatório mostra ainda que, se toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo dos mais ricos, o limite de emissões seria atingido em menos de três semanas. Para conter o aquecimento global, o estudo aponta que o grupo dos mais ricos precisaria reduzir em 99% suas emissões individuais até 2030.

Um novo relatório da organização internacional Oxfam revelou que a elite global é responsável por uma parcela desproporcional da poluição do planeta. Segundo o estudo Saque Climático: como poucos poderosos estão levando o planeta ao colapso, divulgado na quarta-feira (29), o grupo formado pelos 0,1% mais ricos da população mundial emite, em apenas um dia, mais gases do efeito estufa do que metade das pessoas mais pobres do mundo.

De acordo com os dados, uma pessoa entre os mais ricos libera, em média, 800 quilos de gás carbônico equivalente por dia — cerca de 400 vezes mais do que alguém do grupo de menor renda, cuja média é de apenas dois quilos diários.

O relatório se baseia em cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que estima quanto o planeta ainda pode emitir para manter a meta do Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 1,5 grau Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Desde 1990, o grupo mais rico aumentou em 32% sua participação nas emissões globais, enquanto a metade mais pobre reduziu em 3%. Segundo o estudo, 89% do chamado “orçamento de carbono” já foi consumido.

Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, destaca que os dados reforçam a necessidade de responsabilizar quem mais contribui para a crise climática. “Quem mais causa os impactos deve ser o primeiro a agir. É um princípio de justiça climática e social”, afirmou.

O relatório mostra ainda que, se toda a população mundial tivesse o mesmo padrão de consumo dos mais ricos, o limite de emissões seria atingido em menos de três semanas. Para conter o aquecimento global, o estudo aponta que o grupo dos mais ricos precisaria reduzir em 99% suas emissões individuais até 2030.

Além do consumo excessivo, o poder financeiro dessa elite também contribui para o agravamento da crise climática. Segundo o levantamento, 60% dos investimentos feitos pelos bilionários estão ligados a setores altamente poluentes, como petróleo, gás e mineração. Apenas por meio dessas aplicações, cada bilionário seria responsável, em média, por quase 2 milhões de toneladas de gases do efeito estufa por ano.

A Oxfam também alerta para a influência desproporcional desses grandes investidores em espaços de decisão global, como as Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs). Na edição de 2024, realizada em Baku, no Azerbaijão, mais de 1.700 representantes ligados a indústrias de combustíveis fósseis participaram das negociações, superando o total de delegados dos dez países mais vulneráveis ao clima.

Entre as medidas sugeridas pela Oxfam estão a taxação sobre grandes fortunas, a limitação da influência de super-ricos em decisões climáticas e a ampliação da participação da sociedade civil e de comunidades tradicionais na formulação de políticas ambientais.

“A crise climática é também uma crise de desigualdade. Os mais ricos lucram com a destruição do clima, enquanto a maioria paga o preço das consequências”, conclui Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional.


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