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Saúde • 14:47h • 04 de junho de 2025

Estudo mostra que recuperação de lesão no joelho em atletas vai além do tempo de cirurgia

Tempo pós-cirurgia, utilizado para a liberação do atleta, pode não ser suficiente para a recuperação biomecânica completa do joelho

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Divulgação

Mecânica do movimento é fundamental para avaliar a recuperação de um atleta, que não deve ficar apenas na capacidade de realizar o exercício.
Mecânica do movimento é fundamental para avaliar a recuperação de um atleta, que não deve ficar apenas na capacidade de realizar o exercício.

Lesões no joelho são muito comuns em atletas, especialmente em jogadores de futebol. Um dos problemas mais frequentes é a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), que exige cirurgia para reconstrução. Mas um novo estudo mostrou que a recuperação completa não depende apenas do tempo de repouso e fisioterapia, e sim da recuperação da forma correta de se mover, sem forçar o corpo de maneira errada.

A pesquisa, publicada em abril na revista científica Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy, foi feita pelo educador físico João Belleboni Marques durante seu doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), com orientação do professor Paulo Roberto Santiago, da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto.

O LCA é fundamental para a estabilidade do joelho, especialmente em movimentos de giro e mudança de direção. Se esses movimentos não voltarem ao normal, o atleta pode acabar forçando outras partes do joelho, como os meniscos e a cartilagem, e ter novas lesões.

Para analisar como os atletas se movimentam após a cirurgia, os pesquisadores usaram tecnologia vestível — sensores colocados no corpo que medem os movimentos, a força aplicada e até o ritmo do coração. Eles acompanharam 26 jogadores profissionais de futebol do Catar, sendo que 10 já tinham passado pela cirurgia no LCA e 16 nunca tiveram lesões.

Os atletas foram avaliados enquanto corriam por 20 metros e faziam uma curva de 90°, usando roupas com sensores nas pernas, quadril e pés. Também usaram palmilhas especiais que medem a força com que pisam no chão.

O resultado mostrou que, apesar de o tempo para fazer os movimentos ser parecido nos dois grupos, os atletas que tinham sido operados usavam outras partes do corpo para compensar e tinham limitações nos movimentos do tornozelo e do joelho. Isso mostra que, mesmo se sentindo bem, esses atletas ainda não se movimentavam da mesma forma que antes da lesão.

Segundo o professor Santiago, isso é importante porque mostra que não basta o atleta conseguir treinar ou jogar: ele precisa reaprender a se mover da maneira certa. Caso contrário, o corpo começa a compensar a fraqueza com outros músculos ou articulações, o que pode gerar novas lesões, mais cansaço e até piorar o desempenho.

Tecnologia a favor da recuperação

Os sensores usados na pesquisa ajudaram os cientistas a perceber detalhes que não seriam visíveis apenas observando os atletas. Para o professor Santiago, esse tipo de tecnologia pode transformar a maneira como se avalia a saúde e o desempenho esportivo.

Embora os aparelhos mais avançados ainda estejam sendo usados só em estudos, a ideia é que eles cheguem também às clínicas e clubes. Isso pode ajudar a prevenir lesões e orientar melhor o tratamento, unindo tecnologia e inteligência artificial para dar recomendações em tempo real.

"A combinação entre sensores e inteligência artificial pode mudar o futuro da medicina esportiva, oferecendo orientações precisas para melhorar o desempenho e evitar novas lesões", conclui Santiago.



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