Saúde • 09:47h • 01 de abril de 2025
Estudo mostra que teleconsulta é eficaz no acompanhamento médico
Pesquisa acompanhou pacientes que tratam diabetes no SUS em Joinville
Da Redação com informações de Agência Brasil | Foto: Davidyson Damasceno/IGESDF
Com o avanço da tecnologia, a consulta médica agora pode ser feita sem sair de casa, apenas com um celular ou outro dispositivo conectado à internet. Impulsionada pela pandemia, a teleconsulta se tornou uma alternativa viável para ampliar o acesso à saúde, beneficiando pacientes tanto da rede pública quanto da privada. Mas será que esse modelo é realmente eficaz e seguro?
Pesquisas ao redor do mundo buscam responder a essa questão e identificar as melhores situações para sua aplicação. Um desses estudos analisou a teleconsulta para pacientes com diabetes tipo 2 no sistema público de saúde brasileiro. Conduzida pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz como parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS), a pesquisa foi publicada na revista científica The Lancet.
Os resultados mostraram que as teleconsultas com endocrinologistas foram tão eficazes quanto as consultas presenciais. "É fundamental ter um estudo que comprove a segurança da teleconsulta, fornecendo embasamento para médicos e gestores de saúde", destaca Daniela Rodrigues, uma das autoras da pesquisa. A gerente de pesquisa do hospital, Rosa Lucchetta, reforça que a teleconsulta não substitui o atendimento presencial, mas se mostra uma opção segura e eficiente.
O Estudo com Pacientes Diabéticos
A pesquisa acompanhou 278 pacientes do SUS em Joinville (SC), cidade escolhida por sua estrutura de telemedicina. A maioria dos participantes era mulher (60%), com idades entre 54 e 68 anos. O diabetes tipo 2 foi o foco do estudo devido ao grande número de pessoas afetadas e às complicações que a falta de acompanhamento pode causar.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de brasileiros convivem com a doença. Sem um controle adequado, o diabetes pode causar danos ao coração, artérias, rins e nervos, além de aumentar o risco de morte. O estudo dividiu os participantes em dois grupos: um recebeu acompanhamento presencial e o outro por teleconsulta, ambos com o mesmo número de consultas e acesso a medicamentos e exames do SUS. Os resultados mostraram que a modalidade remota teve a mesma eficácia que o modelo tradicional.
Além de oferecer mais comodidade, a teleconsulta pode beneficiar populações isoladas e até mesmo moradores de grandes cidades que enfrentam dificuldades de deslocamento. "Se um ribeirinho precisa de uma avaliação endocrinológica, ele não precisará viajar por horas para ter acesso a um médico", exemplifica Rodrigues.
Telessaúde no Brasil
O SUS foi pioneiro na implementação da telessaúde, com a criação do Programa Telessaúde Brasil Redes em 2006. Com a pandemia, o uso dessa tecnologia cresceu significativamente. Em 2022, o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentou a telemedicina, estabelecendo diretrizes para a oferta desses serviços.
O 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes, destaca que a telemedicina deve complementar, e não substituir, as consultas presenciais. "Há elementos que só podem ser avaliados pessoalmente, como a coloração da pele e o odor do paciente. Além disso, emergências devem ser tratadas em hospitais e unidades de saúde", alerta. Ele também enfatiza que a contratação de médicos para áreas remotas continua sendo essencial.
Integração e Desafios
As teleconsultas no SUS fazem parte de uma rede integrada que envolve secretarias de saúde e universidades. Para Ilara Hämmerli, pesquisadora da Fiocruz, o serviço precisa ser estruturado para garantir atendimento completo aos pacientes. "O médico sozinho, seja presencial ou remoto, não consegue atender à complexidade dos casos de saúde. O paciente precisa ter acesso a exames e encaminhamentos quando necessário", ressalta.
Outro desafio é garantir acesso à tecnologia. Dados do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) mostram que apenas 22% dos brasileiros acima de 10 anos têm conectividade satisfatória. Além disso, é fundamental proteger os dados dos pacientes e evitar que informações sensíveis sejam compartilhadas por grandes empresas de tecnologia.
Expansão da Telessaúde
De acordo com o Ministério da Saúde, a Rede Brasileira de Telessaúde já conta com 27 núcleos em todo o país. Entre 2023 e 2024, foram realizados aproximadamente 4,6 milhões de atendimentos remotos, incluindo teleconsultas e emissão de laudos à distância. Na Atenção Especializada, o número de consultas cresceu 99,8% entre 2022 e 2024, superando até mesmo os atendimentos de 2021, em plena pandemia.
O governo planeja implantar dois novos Núcleos de Telessaúde por estado até 2026, além de ampliar pontos de atendimento remoto e fortalecer a integração com os serviços presenciais. Para isso, foram destinados R$ 464 milhões à digitalização do SUS em 2024.
A telessaúde se consolidou como uma ferramenta essencial para ampliar o acesso à saúde e reduzir desigualdades regionais. Ao complementar o atendimento presencial, ela aumenta a capacidade de resposta do sistema de saúde sem comprometer a qualidade dos serviços.
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