Política • 10:47h • 02 de julho de 2026
Estudo revela como redes sociais moldam relação de jovens com política
Pesquisa qualitativa ouviu 24 jovens de várias regiões do país
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo com jovens brasileiros de 21 a 34 anos aponta que as redes sociais vêm transformando profundamente a forma como essa geração se relaciona com a política. Entre os principais efeitos identificados estão o isolamento em bolhas de opinião, a personalização das escolhas políticas e o aumento da polarização.
A pesquisa qualitativa, realizada em 2022, ouviu 24 jovens moradores de capitais e cidades do interior de diferentes regiões do país. O grupo representa uma faixa etária que concentra cerca de 29% do eleitorado brasileiro.
Segundo a pesquisadora Catharina Vale, da Universidade Católica Portuguesa, muitos dos participantes cresceram já inseridos no ambiente das redes sociais e, por isso, não vivenciaram uma participação política sem a influência dessas plataformas, tornando-se mais suscetíveis às mudanças provocadas por elas.
Um dos principais comportamentos observados foi o que a pesquisadora chama de "curadoria do eu": a seleção intencional dos conteúdos políticos consumidos nas redes. A prática funciona como uma forma de proteção emocional diante do excesso de informações, conflitos e discussões presentes nas plataformas.
Durante as entrevistas, os jovens relataram sentimentos de desgaste provocados pelos debates políticos. Expressões como "brigar cansa" e "eu não queria enlouquecer" ilustram o impacto desse ambiente. Também foram frequentes relatos de pessoas que reconhecem viver em bolhas de informação, filtrando conteúdos e contatos de acordo com suas preferências.
Para a pesquisadora, esse processo reduz a diversidade de opiniões, dificulta o diálogo e enfraquece o debate público. Ao restringir o contato com ideias diferentes, as redes sociais contribuem para a formação de grupos mais homogêneos, favorecendo a polarização.
O estudo também indica que a política passa a ser cada vez mais personalizada. Em vez de priorizar partidos ou trajetórias políticas, muitos jovens valorizam a forma como candidatos se apresentam nas redes sociais e estabelecem uma comunicação direta com o eleitor.
De acordo com Catharina Vale, essa transformação começou a ganhar força no Brasil a partir das Jornadas de Junho de 2013, período que coincidiu com a expansão das redes sociais e do acesso dos jovens a essas plataformas. A combinação entre algoritmos, circulação de informações e interação digital teria alterado significativamente a relação entre mídia e política.
Na avaliação da pesquisadora, essas mudanças tendem a influenciar a forma de participação política das próximas gerações, produzindo efeitos duradouros sobre o debate público e o funcionamento da democracia brasileira.
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