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Saúde • 08:43h • 16 de maio de 2025

Estudo revela impacto fatal dos ultraprocessados na alimentação

Pesquisa com base em dados alimentares de oito países, inclusive o Brasil, indica que aumento de 10% dos alimentos ultraprocessados na dieta eleva risco de morte precoce em 3%

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Estudos indicam que ultraprocessados estão associados a risco de 32 doenças, principalmente crônicas não-transmissíveis, como obesidade, doenças cardiovasculares, doenças digestivas, diabetes e problemas de saúde mental, incluindo depressão.
Estudos indicam que ultraprocessados estão associados a risco de 32 doenças, principalmente crônicas não-transmissíveis, como obesidade, doenças cardiovasculares, doenças digestivas, diabetes e problemas de saúde mental, incluindo depressão.

Um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que o aumento no consumo de alimentos ultraprocessados está diretamente associado ao risco de morte precoce. Segundo a pesquisa, publicada na revista científica American Journal of Preventive Medicine, cada aumento de 10% na ingestão desses produtos na dieta está ligado a um crescimento de 3% no risco de mortalidade prematura.

Com base em dados alimentares e de mortalidade de oito países — incluindo Brasil, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e Reino Unido —, os pesquisadores estimaram que os óbitos atribuíveis ao consumo de ultraprocessados variam de 4% a 14%, dependendo da proporção desses produtos na dieta nacional.

Ultraprocessados: riscos em alta

“Os alimentos ultraprocessados são formulações industriais feitas com ingredientes derivados de alimentos e aditivos cosméticos, com pouco ou nenhum alimento in natura”, explica Eduardo Nilson, pesquisador da Fiocruz Brasília e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP), autor principal do estudo. “São produtos altamente palatáveis, ricos em sódio, açúcar e gorduras, que muitas vezes substituem preparações culinárias e alimentos frescos.”

Nilson destaca que as evidências científicas sobre os danos desses alimentos à saúde têm se acumulado nas últimas décadas. “Revisões recentes associam o consumo de ultraprocessados a pelo menos 32 doenças, principalmente crônicas não transmissíveis, como obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, distúrbios digestivos e até problemas de saúde mental, como a depressão.”

Consumo elevado e impacto direto na saúde

Nos países analisados, o consumo de ultraprocessados varia consideravelmente: enquanto na Colômbia esses produtos representam 15% da ingestão calórica, nos Estados Unidos e no Reino Unido chegam a compor quase 55% da dieta dos adultos. “Mesmo em países com consumo mais moderado, como o Brasil, já observamos impactos significativos na mortalidade”, ressalta Nilson.

A análise identificou uma relação clara entre o aumento no consumo e o risco de morte: a cada 10% a mais de calorias provenientes de ultraprocessados, o risco de mortalidade por todas as causas sobe 3%. “Embora ainda não seja possível comprovar causalidade com ensaios clínicos, há forte evidência baseada em critérios como consistência dos dados, sequência temporal e efeito dose-resposta”, explica o pesquisador.

Múltiplos mecanismos de ação

Segundo Nilson, os impactos dos ultraprocessados na saúde envolvem diversos mecanismos — biológicos, químicos, físicos e comportamentais. Além de substituírem alimentos nutritivos, esses produtos possuem perfil nutricional desequilibrado e passam por processos que alteram a absorção de nutrientes. “O processamento pode modificar a resposta do organismo: o suco de maçã, por exemplo, contém frutose livre, enquanto a maçã in natura, com fibras e outros componentes, é absorvida de forma diferente”, ilustra.

O uso de aditivos como corantes, emulsificantes, adoçantes e aromatizantes também é apontado como fator de risco, assim como a mudança nos hábitos alimentares — como comer rápido, sem saciedade, favorecendo o consumo em excesso.

Políticas públicas e medidas regulatórias

Diante dos resultados, os autores do estudo recomendam que os governos reconheçam os ultraprocessados como um fator de risco à saúde pública e adotem políticas que estimulem escolhas alimentares mais saudáveis. “É essencial investir em ações regulatórias e fiscais que incentivem alimentos in natura e minimamente processados, ao mesmo tempo em que se desestimula o consumo de produtos ultraprocessados”, afirma Nilson.

Entre as medidas defendidas estão a rotulagem nutricional frontal com alertas para excesso de sódio, açúcar e gorduras; a regulação da venda de alimentos em escolas; e restrições à publicidade desses produtos. “Alguns estados e municípios já têm legislações nesse sentido, mas é preciso ampliar isso para todo o país”, aponta.

Nilson também destaca a importância de ações como subsídios para alimentos saudáveis e taxação seletiva de produtos nocivos, como previsto na Reforma Tributária aprovada recentemente. A nova regra isenta a cesta básica de impostos e prevê cobrança adicional para bebidas adoçadas, cigarros e álcool.

Colaboração internacional

O estudo contou com a participação de pesquisadores da USP, Fiocruz, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), além de instituições de pesquisa do Chile, Canadá, Colômbia, Austrália e México.

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