Ciência e Tecnologia • 13:13h • 29 de janeiro de 2026
Estudo revela ligação profunda entre cérebro e sistema imunológico em casos de depressão
Pesquisa da USP com Harvard mostra que genes típicos do cérebro podem ser ativados em células de defesa durante estresse e depressão
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, revelou uma ligação mais profunda do que se imaginava entre o cérebro e o sistema imunológico. A pesquisa mostra que, em situações de estresse e depressão, genes normalmente ativos apenas em neurônios passam a ser ativados também nas células de defesa do organismo.
Já se sabia que o sistema nervoso e o sistema imune se comunicam constantemente por meio de hormônios, proteínas e neurotransmissores. Por isso, não é incomum que períodos de estresse estejam associados à queda da imunidade. O novo estudo, porém, indica que essa conexão vai além da troca de sinais e envolve alterações diretas na ativação de genes.
Os pesquisadores analisaram dados de pessoas com depressão maior e identificaram que genes ligados ao funcionamento do cérebro estavam “ligados” em leucócitos, que são células do sistema imunológico. O resultado foi confirmado em experimentos com camundongos submetidos a estresse crônico.
Um dos principais achados envolve o gene PAX6, conhecido por atuar na formação de novos neurônios, especialmente na infância. O estudo mostrou que esse gene também fica mais ativo nas células de defesa em situações de estresse e depressão. O mesmo comportamento foi observado em outros três genes relacionados ao PAX6.
Segundo os pesquisadores, cada célula do corpo tem o mesmo material genético, mas o que muda é quais genes são ativados em cada tipo de célula. A descoberta mostra que, em quadros de depressão, esse padrão pode se alterar, fazendo com que células do sistema imune passem a expressar genes típicos do sistema nervoso.
A pesquisa, apoiada pela Fapesp, utilizou dados públicos de seres humanos e técnicas avançadas de análise genética, além de testes em animais. Para os cientistas, os resultados ajudam a entender melhor como o estresse e os transtornos mentais afetam o organismo como um todo.
Embora o estudo tenha focado na depressão maior, os pesquisadores acreditam que fenômeno semelhante possa ocorrer em outros transtornos mentais, como ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia. O achado abre caminho para novas pesquisas e para a identificação de possíveis biomarcadores, que no futuro podem auxiliar no diagnóstico e no acompanhamento dessas condições.
Os cientistas ressaltam que ainda não é possível afirmar se a ativação do gene PAX6 nas células de defesa causa a depressão ou se é uma resposta do organismo ao estresse. Por enquanto, o gene é visto como um possível marcador biológico, e novos estudos serão necessários para entender seu papel exato no equilíbrio do sistema imunológico e na saúde mental.
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