Variedades • 14:01h • 24 de junho de 2026
Estudo revela preservação de tecidos de pterossauro por 113 milhões
Pterossauros eram répteis voadores que viveram ao lado dos dinossauros
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arte Kliti Gric
Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram um novo mecanismo global de fossilização capaz de preservar tecidos moles e até esteroides — moléculas orgânicas extremamente frágeis — em um pterossauro do período Cretáceo encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE).
O estudo, baseado em análises de geoquímica, microscopia e tomografia 3D, mostra que bactérias oxidantes de enxofre tiveram papel essencial na mineralização rápida do fóssil, permitindo sua preservação tridimensional excepcional. A pesquisa envolveu 15 instituições internacionais e reuniu técnicas como espectrometria de massa, microscopia eletrônica e análise isotópica.
Segundo o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, a preservação do material é extraordinária, já que envolve tecidos e moléculas que normalmente se degradariam em poucos dias. Ele destaca que o achado reforça a importância da Bacia do Araripe como um dos mais relevantes sítios fossilíferos do mundo.
A pesquisadora Klitin Grici, da Universidade Curtin, afirma que o fóssil funciona como uma “cápsula do tempo”, e que a detecção de esteroides em um pterossauro pode indicar sua dieta baseada em peixes ou lulas.
O estudo descreve um processo em “efeito dominó”, no qual a decomposição inicial do animal cria microambientes químicos que estimulam microrganismos específicos. Esses micróbios desencadeiam reações que formam diferentes minerais, selando rapidamente o fóssil antes da degradação dos tecidos.
Para o professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, a descoberta amplia a compreensão sobre a formação de fósseis excepcionais e reforça o valor científico da região do Araripe.
O pterossauro analisado pertence ao grupo Anhangueridae, com cerca de 8 metros de envergadura. Esses répteis voadores viveram ao lado dos dinossauros e foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado.
O estudo também destaca a importância das parcerias internacionais na pesquisa paleontológica brasileira e foi publicado na revista iScience no dia 18.
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