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Ciência e Tecnologia • 09:02h • 19 de junho de 2026

Estudo revela que nem todos os minerais das castanhas são absorvidos pelo organismo

Pesquisa da Unifesp mostra que apenas parte dos nutrientes presentes na castanha-do-pará e na castanha-de-caju fica disponível para absorção após a digestão, reforçando a importância de avaliar a qualidade nutricional além da quantidade de minerais

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

No caso das castanhas-de-caju, cerca de 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no alimento estavam disponíveis para absorção após o processo de digestão simulada; manganês e zinco foram encontrados em quantidades insuficientes para medição confiável
No caso das castanhas-de-caju, cerca de 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no alimento estavam disponíveis para absorção após o processo de digestão simulada; manganês e zinco foram encontrados em quantidades insuficientes para medição confiável

As castanhas são reconhecidas por seu alto valor nutricional e pela presença de minerais importantes para a saúde. No entanto, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que nem todos os nutrientes presentes nesses alimentos são efetivamente aproveitados pelo organismo.

A pesquisa avaliou a chamada bioacessibilidade dos minerais, conceito que indica a quantidade de nutrientes liberada durante o processo digestivo e potencialmente disponível para absorção pelo corpo. O trabalho contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e teve como foco duas oleaginosas amplamente consumidas no Brasil: a castanha-do-pará e a castanha-de-caju.

Os resultados, publicados na revista científica Química Nova, foram obtidos por meio de experimentos que simularam em laboratório as condições da digestão humana, incluindo temperatura, acidez, movimentação e ação de enzimas presentes no sistema gastrointestinal.

Minerais avaliados

Os pesquisadores analisaram quatro minerais essenciais para o funcionamento do organismo: cobre, magnésio, manganês e zinco. O cobre participa da formação dos glóbulos vermelhos e do funcionamento do sistema imunológico; o magnésio é fundamental para a saúde dos ossos e dos músculos; o manganês possui ação antioxidante e auxilia na formação de tecidos; enquanto o zinco desempenha papel importante na imunidade, cicatrização e síntese de proteínas.

Inicialmente, foi medida a concentração total desses nutrientes nas castanhas. Em seguida, os cientistas avaliaram quanto de cada mineral era efetivamente liberado durante a digestão simulada.

Apenas parte dos nutrientes fica disponível

Os resultados mostraram que, na castanha-de-caju, cerca de 56% do cobre e 52% do magnésio presentes no alimento ficaram disponíveis para absorção após a digestão simulada.

Já na castanha-do-pará, aproximadamente 50% do cobre e apenas 28% do magnésio apresentaram bioacessibilidade.

No caso do manganês e do zinco, as quantidades liberadas durante o experimento ficaram abaixo do limite de detecção da técnica utilizada, impossibilitando medições precisas.

Segundo os pesquisadores, os dados demonstram que a quantidade total de nutrientes presente em um alimento não reflete necessariamente o quanto deles será aproveitado pelo organismo.

Bioacessibilidade não é o mesmo que absorção

Os cientistas ressaltam que existe diferença entre bioacessibilidade e biodisponibilidade. A bioacessibilidade corresponde à parcela do nutriente liberada durante a digestão e disponível para ser absorvida. Já a biodisponibilidade representa a quantidade efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo após processos como transporte, metabolismo e excreção.

Enquanto a bioacessibilidade pode ser medida por meio de testes laboratoriais, a biodisponibilidade exige estudos mais complexos realizados com animais ou seres humanos.

Complemento de uma alimentação equilibrada

Para os autores do estudo, os resultados reforçam a necessidade de avaliar não apenas a concentração total de nutrientes nos alimentos, mas também seu comportamento durante a digestão.

Embora as castanhas apresentem quantidades significativas de minerais importantes, elas não devem ser consideradas fontes exclusivas desses nutrientes. Ainda assim, podem contribuir de forma relevante para uma alimentação equilibrada e diversificada, complementando o aporte nutricional diário quando consumidas dentro de hábitos alimentares saudáveis.

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