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Gastronomia & Turismo • 14:54h • 21 de outubro de 2024

Etnoturismo cresce com apoio comunitário e foco sustentável

Roteiros turísticos promovem a preservação ambiental e cultural dos povos envolvidos, devendo movimentar US$ 67 bilhões até 2034 segundo o WTTC

Da Redação com informações da Mtur | Foto: Divulgação/Mtur

Comunidades Borari e Raposo I
Comunidades Borari e Raposo I

O etnoturismo está crescendo em todo o mundo e se consolidando como uma importante ferramenta de preservação cultural e desenvolvimento socioeconômico. Estimativas do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) indicam que a modalidade deverá injetar US$ 67 bilhões na economia global até 2034, refletindo o crescente interesse por experiências autênticas e sustentáveis que conectam viajantes às tradições de povos originários.

No Brasil, o Ministério do Turismo tem investido em programas voltados ao turismo de base comunitária, promovendo roteiros que protegem e disseminam saberes milenares de comunidades indígenas e tradicionais. As iniciativas não apenas fortalecem as economias locais, mas também favorecem a conservação ambiental, criando uma alternativa sustentável de desenvolvimento em regiões de importância ecológica e cultural.

“A valorização das comunidades originárias do Brasil, como as indígenas e quilombolas, é fundamental para promover um turismo que respeite e preserve a nossa diversidade cultural e ambiental. O turismo de base comunitária não só gera renda e oportunidades locais, mas também fortalece a identidade dessas comunidades”, aponta Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo.

Roteiros guiados por membros das comunidades reforçam a ideia de que o turismo pode ser um aliado da preservação ambiental. A relação entre o visitante e o local é construída com base no respeito à natureza e na adoção de práticas sustentáveis. Ao incentivar essas atividades, o governo federal busca combater práticas predatórias como o desmatamento, oferecendo alternativas econômicas que ajudam a proteger territórios e modos de vida.

A aposta do Brasil é que o etnoturismo e o turismo de base comunitária não só posicionem o país como destino de beleza natural, mas também um exemplo de preservação cultural e ambiental. As ações fomentadas pelo Ministério do Turismo em parceria com os povos são um passo importante na criação de uma economia sustentável, capaz de valorizar riquezas imateriais e naturais, beneficiando visitantes, comunidades e o meio ambiente.

Suporte

Uma das ações do MTur para fortalecer o turismo de base comunitária e valorizar culturas tradicionais é o Programa Experiências do Brasil Original, que orienta a oferta de produtos e serviços turísticos por povos indígenas e quilombolas. A iniciativa busca promover o turismo sustentável em áreas de rica diversidade cultural, proporcionando aos visitantes uma imersão autêntica nos saberes e modos de vida das comunidades.

Ao certificar os grupos envolvidos, o programa assegura que roteiros turísticos sejam conduzidos de forma responsável, respeitando as tradições e o meio ambiente. As experiências oferecidas incluem atividades a exemplo de artesanato, culinária típica, rituais culturais e visitas a locais de importância histórica e ecológica, garantindo uma vivência genuína e enriquecedora.

O reconhecimento também ajuda a potencializar a geração de renda nas comunidades e recompensam esforços para manter viva e proteger a herança cultural dos territórios. O Experiências do Brasil Original se integra a políticas mais amplas do Ministério do Turismo, voltadas à promoção do desenvolvimento regional inclusivo e sustentável, ao mesmo tempo em que preserva a biodiversidade e os saberes ancestrais.

Mapeamento

O MTur lidera um projeto inovador de mapeamento das comunidades indígenas que atuam no turismo nacional. A iniciativa faz parte do Projeto “Brasil Turismo Responsável”, iniciado em julho de 2024 e que resulta de cooperação técnica junto ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O objetivo é identificar povos que desenvolvem atividades turísticas baseadas nos princípios do turismo de base comunitária, além de catalogar e promover boas práticas, sempre com a concordância dos envolvidos. Para facilitar a coleta de informações, há um formulário eletrônico que pode ser preenchido até 31 de outubro deste ano por comunidades indígenas e organizações públicas e privadas ligadas ao segmento. (Acesse AQUI o formulário).

A ação vai permitir a compilação de dados detalhados das ações em desenvolvimento, possibilitando um diagnóstico mais preciso das necessidades das comunidades e a promoção de seus produtos turísticos. Com a medida, o MTur pretende ampliar o Mapa Brasileiro do Turismo Responsável e contribuir para o fortalecimento de uma rede de turismo sustentável, inclusivo e culturalmente rico, respeitando saberes tradicionais e a autonomia dos povos.

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