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Saúde • 15:53h • 09 de março de 2026

Exercícios intensos e curtos podem ajudar no tratamento do transtorno do pânico, aponta estudo da USP

Os efeitos físicos dos exercícios criam memórias que auxiliam como lidar com as sensações das crises, principalmente aquelas atividades que criam no organismo sintomas semelhantes a um ataque de pânico

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

Atividades físicas provocam sensações corporais semelhantes a um ataque de pânico.
Atividades físicas provocam sensações corporais semelhantes a um ataque de pânico.

Um estudo do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) indica que exercícios físicos breves e intensos podem ajudar no tratamento do transtorno do pânico. A pesquisa mostra que exercícios interoceptivos intermitentes — que provocam sensações corporais semelhantes às de uma crise de pânico — podem ser mais eficazes na redução da gravidade do transtorno do que técnicas tradicionais de relaxamento.

Segundo o psiquiatra Alan Campos Luciano, membro do instituto, o transtorno do pânico é diferente de uma crise isolada. A crise de pânico é marcada por uma sensação súbita de que algo grave pode acontecer, como um ataque cardíaco, perda de controle ou até a sensação de enlouquecer. Esses episódios costumam vir acompanhados de sintomas físicos, como coração acelerado, falta de ar, sensação de sufocamento, nó na garganta e formigamento nas extremidades. Geralmente surgem de forma abrupta, atingem o pico em cerca de dez minutos e podem durar aproximadamente meia hora.

O transtorno do pânico ocorre quando essas crises passam a se repetir sem um gatilho específico. Com o tempo, a pessoa começa a viver com medo constante de ter novos episódios, o que caracteriza o transtorno.

Durante uma crise, o paciente tende a desenvolver uma hipervigilância em relação às sensações do próprio corpo, fenômeno conhecido como interocepção. Isso significa que a pessoa passa a monitorar constantemente sinais internos, como batimentos cardíacos ou ritmo da respiração. Ao perceber essas mudanças, muitas vezes interpreta de forma equivocada que algo grave está acontecendo no organismo, o que aumenta a ansiedade e intensifica os sintomas.

Esse processo cria um ciclo de retroalimentação: as sensações físicas geram preocupação e medo, que por sua vez aumentam a resposta do organismo à ansiedade, elevando a frequência cardíaca e respiratória e reforçando ainda mais a sensação de perigo.

O estudo aponta que a exposição controlada a essas sensações pode ajudar a quebrar esse ciclo. Atividades físicas que provocam alterações corporais semelhantes às de uma crise de pânico, como aumento da frequência cardíaca ou sensação de falta de ar, ajudam o paciente a perceber que esses sinais são naturais e não representam uma ameaça.

Tradicionalmente, esse tipo de exposição é realizado em consultório, por meio de exercícios orientados por profissionais de saúde. Entre as técnicas usadas estão subir escadas para elevar os batimentos cardíacos ou girar em uma cadeira para provocar leve tontura, permitindo que o paciente se acostume gradualmente com essas sensações.

A principal novidade apontada pelo estudo é que esse processo pode ser feito de forma mais acessível por meio da prática de atividade física. Exercícios curtos e intensos podem reproduzir essas sensações e funcionar como uma forma de exposição interoceptiva fora do ambiente clínico.

De acordo com Luciano, o tratamento adequado é fundamental. Sem acompanhamento, mais da metade dos casos tende a se tornar crônica, com novos episódios ao longo da vida. Por isso, o diagnóstico correto e a avaliação individualizada são essenciais para definir a melhor abordagem terapêutica, que pode incluir psicoterapia, protocolos de exposição com exercícios ou, em alguns casos, o uso de medicamentos.

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