Saúde • 14:19h • 10 de janeiro de 2026
Exercício físico pode fortalecer ação de células contra o câncer, aponta estudo
Achados abrem caminho para possíveis terapias complementares ao tratamento convencional do câncer, associando planos de exercícios personalizados e intervenções na microbiota, como dietas específicas ou probióticos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Pesquisas recentes indicam que uma nova frente de combate ao câncer pode estar mais próxima da prática regular de exercícios do que dos laboratórios. Estudos mostram que a atividade física provoca mudanças benéficas na microbiota intestinal — o conjunto de microrganismos que vive no intestino — e essas alterações parecem aumentar a eficiência das células T, essenciais na resposta contra tumores.
Segundo o médico fisiatra Rodrigo Guimarães de Andrade, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), os benefícios são amplos. Há evidências de que o exercício auxilia até mesmo antes do diagnóstico de alguns tipos de câncer, como o de mama.
O impacto positivo da atividade física na prevenção de doenças crônicas já era conhecido, mas estudos recentes mostraram como o exercício altera o metabolismo das bactérias intestinais, levando à produção de substâncias que fortalecem o sistema imunológico e ampliam sua capacidade de combater células tumorais.
Durante a prática de exercícios, o corpo libera substâncias que influenciam diretamente a microbiota intestinal. Algumas bactérias passam a produzir mais ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que têm ação anti-inflamatória e imunomoduladora. Essas moléculas funcionam como sinalizadores que ajudam a “treinar” as células T para reconhecer e atacar células cancerígenas de forma mais eficiente.
Essas descobertas abrem portas para terapias complementares aos tratamentos oncológicos tradicionais, combinando exercícios físicos personalizados e intervenções na microbiota, como dietas específicas ou probióticos. Os resultados são animadores e ampliam as perspectivas para a imunoterapia, modalidade de tratamento já disponível no Brasil e que ainda precisa ser mais acessível no Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar do potencial identificado, os especialistas destacam que ainda são necessários estudos clínicos em humanos para confirmar os efeitos observados em laboratório. Mesmo assim, as evidências reforçam que um estilo de vida saudável pode ser aliado não apenas na prevenção, mas também no enfrentamento do câncer.
Os novos estudos revelam a integração entre intestino, imunidade e atividade física, mostrando que cuidar da saúde vai além da estética: pode fortalecer o próprio organismo na defesa contra uma das doenças mais temidas da atualidade.
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