Economia • 09:36h • 28 de junho de 2026
Exportadores do agro terão de comprovar origem por satélite para vender à União Europeia
Novo regulamento europeu passa a exigir rastreabilidade digital e comprovação de que produtos não estão ligados ao desmatamento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Weber | Foto: Arquivo/Âncora1
O agronegócio brasileiro se prepara para uma mudança importante nas exportações destinadas à União Europeia. A partir de 30 de dezembro, grandes operadores passarão a atender às exigências do Regulamento Antidesmatamento da União Europeia (EUDR), que determina a comprovação da origem dos produtos por meio de geolocalização e monitoramento digital.
A nova regra atinge principalmente cadeias como soja e carne bovina, que precisarão demonstrar, com informações técnicas e rastreabilidade contínua, que a produção não está associada ao desmatamento.
Fiscalização passa a ser digital
Até agora, a comprovação da origem era baseada em documentos como Cadastro Ambiental Rural (CAR), notas fiscais e auditorias. Com a entrada em vigor do regulamento, a verificação passa a utilizar coordenadas geográficas, imagens de satélite e mapas de cobertura vegetal, permitindo acompanhar a trajetória do produto desde a propriedade rural até a exportação.
Segundo o professor de Agronegócio da EAD UniCesumar, Diogo Bochnia Zuliani, toda a cadeia precisará manter um histórico digital contínuo, envolvendo fazendas, armazéns, frigoríficos, transporte e portos.
Cadeias produtivas precisarão reforçar a rastreabilidade
Produtos que passam por diversos intermediários exigirão maior controle documental. Sem esse acompanhamento, cargas poderão ser classificadas como de maior risco, comprometendo o acesso ao mercado europeu.
A expectativa é que cooperativas, empresas e produtores ampliem os investimentos em sistemas de rastreabilidade para atender às novas exigências comerciais.
Tecnologia já permite esse monitoramento
O Brasil já possui condições técnicas para implementar esse modelo em larga escala. Um levantamento divulgado em maio de 2026 por universidades norte-americanas mostrou que a ferramenta Fields of the World, baseada em inteligência artificial e dados espaciais, conseguiu identificar corretamente 97% das áreas agrícolas brasileiras.
O desafio, agora, está na integração dessas informações ao longo de toda a cadeia produtiva.
Sustentabilidade passa a ser diferencial competitivo
Além de atender às exigências regulatórias, a comprovação digital da origem pode fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Para Zuliani, a tecnologia contribui para diferenciar produtores que seguem as normas ambientais daqueles que não conseguem comprovar a procedência de seus produtos. Ele avalia que a integração entre rastreabilidade e monitoramento ambiental pode transformar a sustentabilidade em uma vantagem competitiva para o Brasil, agregando segurança jurídica e maior confiança nas exportações.
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