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Cultura e Entretenimento • 17:03h • 30 de junho de 2026

Exposição no Museu de Zoologia explora a grandiosidade da Amazônia a partir das pequenas espécies

Ao inverter o olhar sobre o maior bioma do planeta, exposição interativa destaca como insetos, anfíbios, aves e outros pequenos animais ajudam a sustentar a biodiversidade amazônica. Entre os destaques está a apresentação de uma nova espécie de besouro

Agência SP | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Exposição tem entrada gratuita e fica até maio de 2027.
Exposição tem entrada gratuita e fica até maio de 2027.

O que você pensa quando o assunto é Amazônia? Talvez seja sobre ser o maior bioma do mundo que ocupa mais de 4 milhões de km2 de área, mais que a metade do território brasileiro, ou que lá fica o maior rio do mundo em volume de água. Foi pensando nas imensidões que o Museu de Zoologia da USP inaugurou a exposição temporária Amazônia: Descobertas, onde o público é convidado a enxergar essa grandeza de outra forma: através das pequenas espécies. A exposição foi aberta ao público no dia 3 de junho e pode ser visitada até maio de 2027. A entrada é gratuita, terça a domingo das 10h às 17h.

Segundo o diretor do museu, Luís Fábio Silveira, a ideia surgiu no ano passado, quando o tema estava em alta em razão da COP30, ocorrida no Pará. Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica, os pequenos animais são os protagonistas: besouros, insetos, camarões, borboletas, anfíbios, mamíferos e aves. Eles são responsáveis por formar a megabiodiversidade do bioma, onde, mesmo de forma discreta, formam interações complexas com outros seres.


Painéis informativos da exposição no Museu de Zoologia – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O diretor também destaca a importância de mostrar ao público, com a credibilidade de um museu, um território tão importante quanto a Amazônia brasileira. “As narrativas falsas servem mais para confundir e amedrontar as pessoas do que para informá-las. Nesses momentos é que os museus se impõem e se tornam ainda mais relevantes. É nesses espaços que a população vem buscar o refúgio seguro para entender o mundo em que vive”, disse Silveira, que também é curador da exposição.

Por exemplo, a exposição apresenta os insetos como verdadeiros gigantes amazônicos, apesar de medirem apenas cerca de 3 centímetros. Entre eles estão os dípteros, um dos grupos mais diversos de animais, que reúne moscas e mosquitos. Esses organismos apresentam modos de vida variados: há espécies parasitas, predadoras e polinizadoras. Além de desempenharem um papel essencial nas cadeias alimentares, também têm grande importância médica e econômica, já que incluem espécies como o mosquito-da-malária, o mosquito-da-dengue e o mosquito-palha, responsáveis pela transmissão de diferentes doenças.

O Brasil reúne a maior diversidade de espécies de aves do mundo. A exposição apresenta algumas delas, como a cabeça-de-prata, o frifrió e o galo-da-serra, entre outras. Ao todo, já foram registradas mais de 2 mil espécies de aves no território brasileiro, sendo mais de mil encontradas na Amazônia.


A inclusão não é exclusiva para pessoas com deficiência, também foi pensada para facilitar o acesso de crianças – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Espaços de interação

A acessibilidade é um dos destaques da exposição. Os itens estão posicionados em altura mais baixa para facilitar a visualização por pessoas em cadeiras de rodas ou crianças pequenas. O percurso ainda inclui recursos e atividades sensoriais e táteis que intensificam a experiência do público, como modelos ampliados e uma atividade educativa onde se pode tocar em uma espécie através de um buraco, sentindo texturas específicas da pele de animais que vivem na Amazônia, sem enxergar exatamente qual o tipo de animal. Além disso, parte do conteúdo expositivo conta com placas explicativas em braile, permitindo que visitantes com deficiência visual tenham acesso às informações de forma mais autônoma e inclusiva. 

“Nós somos um museu que tem voz própria”, afirma a curadora e chefe da Divisão de Difusão Cultural, Maria Isabel Landim. O Museu de Zoologia da USP é uma instituição dedicada à pesquisa, ensino, conservação e divulgação do conhecimento sobre a biodiversidade. Atualmente, são mais de 12 milhões de animais em sua vasta coleção. E aproximadamente 2 mil pessoas por dia frequentam o local, que mantém sua entrada gratuita como forma de incentivar a visitação ao museu.

A exposição ainda conta com um espaço que funciona como uma “rede social analógica”, onde os visitantes podem escrever em post-its as impressões que tiveram da mostra. “É um diferencial do Museu de Zoologia de valorizar os espaços de interação, pois ele é multidisciplinar”, afirma Maria Isabel.

Nova espécie de besouro

Uma das atrações da exposição é a descoberta de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, resultado de uma parceria entre o pós-doutorando do museu Thiago Polizei e a pesquisadora Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O inseto pertence à família Elmidae e habita riachos e igarapés da Amazônia brasileira. Apesar da importância ecológica, esses besouros são minúsculos e medem entre 1 e 8 milímetros.

Na atividade Por trás dos nomes, os visitantes têm a oportunidade de participar da escolha do nome da nova espécie. São sugeridos três nomes: Heterelmis iacamiabas, Heterelmis waimiriatroari e Heterelmis kinja. Confira abaixo o significado de cada uma delas.


Modelo ampliado do besouro-de-correnteza – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Heterelmis iacamiabas

“Mulheres sem marido” é a designação genérica dada a uma lenda de indígenas que teriam formado uma nação de mulheres guerreiras. Essa lenda teria dado origem, no século 16, ao mito da presença das lendárias Amazonas na região Norte do Brasil.

Heterelmis waimiriatroari

Os termos Waimiri e Atroari referiam-se a dois grupos indígenas distintos que habitam a região de Presidente Figueiredo (AM), local onde a espécie foi encontrada.

No entanto, com o tempo, a forte semelhança linguística e cultural levou à união dos sobreviventes, formando um único povo, Waimiri-Atroari.

Heterelmis kinja

“Gente verdadeira”, forma como o povo Waimiri-Atroari, habitantes da região onde a nova espécie foi coletada, se autodenomina.

Segundo o diretor do museu, os votos do público deverão ser incorporados ao artigo científico que formalizará a descrição da nova espécie. Os participantes da atividade receberão uma cópia da publicação, acompanhando o resultado da escolha e tendo acesso direto ao material científico produzido pelos pesquisadores.

Exposição Amazônia: Descobertas

Período: 3 de junho de 2026 a 31 de maio de 2027

Local: Museu de Zoologia da USP

Endereço: Av. Nazaré, 481 – Ipiranga, São Paulo 

Entrada: gratuita, terça a domingo das 10h às 17h

Visitas e agendamentos de grupos e escolas neste link

Mais informações no site do museu e nas redes sociais Instagram e Facebook


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